A herança da camisola 7 nas costas de Cristiano Ronaldo

Depois de jogadores como Kopa, Butragueño ou Raúl, cabe agora ao  português carregar o peso da tradição do n.º 7.

Esqueçam CR9 porque CR7 está de volta. Cristiano Ronaldo recuperou esta época para a sua camisola no Real Madrid o número favorito, com o qual começará a participação na Liga Espanhola, já esta noite (20.00), na deslocação a Maiorca

A saída de Raúl, "dono", nos últimos 15 anos, da mítica camisola dos merengues, para o Schalke 04 da Alemanha, permitiu ao internacional português voltar a envergar o algarismo com que se notabilizou no futebol mundial e dar sequência à enorme herança que o "7" tem no emblema de Madrid.

Do já referido Raúl a Kopa, passando por Amâncio, Juanito e Butragueño, a fasquia da aficción madridista em torno dos seus números 7 é enorme e a camisola adquiriu tons quase sagrados no Santiago Bernabéu.

Quando Cristiano Ronaldo chegou à capital espanhola, na épo- ca anterior, nem o título de jogador mais caro da história do futebol mundial lhe deu o "privilégio" de poder escolher o 7, pertença do então capitão Raúl, que o tinha herdado, em 1996/1997, do ar-gentino Juan Esnaider, avança- do que chegou a ter uma pas- sagem discreta pelo FC Porto.

O jogador português não teve então alternativa senão escolher outro algarismo: o 9, que tinha sido usada pelo seu homónimo brasileiro Ronaldo.

Longe de se imaginar que Raúl estaria, um ano depois, de malas feitas para a Alemanha, chegou a vaticinar-se o fim da sigla CR7, número que Cristiano passou apenas a ostentar na selecção nacional, depois de o ter herdado de Luís Figo.

Aliás, CR7 tem recebido legados pesados quando enverga o seu número favorito. Quando chegou ao Manchester United, o técnico Alex Ferguson, já ciente do talento do seu novo pupilo, convenceu-o a deixar o 28 que utilizava no Sporting, e insistiu que Ronaldo usasse o 7 de George Best, Eric Cantona e de David Beckham, que entretanto tinha saído para o Real Madrid.

Na selecção portuguesa, só com o abandono de Luís Figo, o mais internacional dos jogadores nacionais, após o Mundial de 2006, Cristiano Ronaldo pôde usar o número 7, tornando-o já uma imagem de marca do futebol luso.

Estima-se que o Real Madrid tenha esta temporada, com a simples mudança de número de Cristiano Ronaldo, um encaixe de milhões de euros em venda de produtos de merchandising com as novas camisolas.

Neste ano de consolidação no Real Madrid, em que todos esperam nada menos do que todos os títulos internos e europeus, Ronaldo passa a carregar, com o seu 7, o estatuto de líder da equipa, e a responsabilidade de continuar a eternizar a mais importante camisola de todas as constelações de estrelas que passaram pela história do mais poderoso clube do mundo.

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