As claques e a desregulamentação

A "Operação Fair Play", que levou à detenção de uma série de elementos da claque No Name Boys motivou reacções diversas, desde os que acham sempre que dos grupos de apoio organizado só vem mal aos que desvalorizam o papel que o futebol deve ter neste processo.

O tráfico de droga e de armas é um problema social e, sem claques, sucederá na mesma, é verdade. Mas estas organizações servem de máscara aos criminosos, pelo que cabe ao futebol fazer algo para as extirpar desses elementos maléficos. E isso, infelizmente, não foi nem está a ser feito. Para resolver o problema não basta legislar ou agarrarmo-nos à lei existente. É preciso, primeiro, compreendê-lo. A lição fundamental para compreender as claques já vem, na generalidade, de Darwin, tendo depois sido adaptada à especialidade por Morris. Na lógica da sobrevivência do mais forte, o seu humano também tende a hierarquizar. E ser de uma claque é, entre os jovens que vão ao futebol, estar uma categoria acima, numa busca de afirmação que é própria da idade e que se radicaliza à medida que a sociedade se vai tornando mais e mais violenta. Acabar com as claques não resolve o problema porque, além de tirar estes jovens do futebol, leva-os a iniciar essa procura de afirmação noutros sectores, em gangues, por exemplo, onde são bastante mais difíceis de controlar porque não são vigiados pela polícia nem confinam as suas "lutas" a recintos fechados, antes as promovendo pelas ruas.

Quem está aqui a mais são, de facto, os cabecilhas que aproveitam a obediência cega dos seus braços armados para servir outros fins. Ora é aqui que o futebol pode fazer algo. Não é prender os que se servem das claques para traficar armas ou droga, que isso é tarefa da polícia, mas sim deixar de se servir deles quando querem eles também impor algumas vontades. Aquilo com que o futebol pode contribuir é o aumento da transparência nas relações com as claques. E isso não se consegue dizendo que a "casinha" onde os No Name Boys guardavam as suas coisas até está em obras e que vai ser para todos os sócios. Mas afinal quem é que guarda a chave?

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