MP quer líderes da claque do Benfica em prisão preventiva

Investigação. Ministério Público tinha cerca de uma dezena de mandados de detenção, mas acabou por realizar 29. Todos para elementos da claque dos No Name Boys. Em causa estão indícios que os associam a crimes graves, como associação criminosa, agressões violentas, tráficos de droga e armas.

A PSP deteve ontem 29 elementos da claque No Name Boys do Benfica, após a execução de mais de 40 mandados de buscas domiciliárias, emitidos para várias zonas do País, Grande Lisboa, Porto e Leiria. Destes, fazem parte os principais líderes da claque , um deles conhecido por Mário, que foram detidos por estarem fortemente indi- ciados por vários tipos de crime, "associação criminosa, ofensas corporais graves a entidades e agentes policiais, roubo, posse ilegal de armas , tráfico de droga, danos agravados e muitos outros delitos", confirmou fonte ligada ao processo.

Este grupo, que não integra mais do que uma dezena de elementos, foi levado para a esquadra de Benfica e depois transportado em carrinhas celulares para do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, onde passaram a noite. Hoje, deverão ser presentes ao Tribunal de Instrução Criminal para conhecerem medidas de coacção, devendo-lhes ser aplicada a prisão preventiva, já que será esta a solicitada pelo Ministério Público (MP) para todos os elementos que estão fortemente indiciados pelos crimes mais graves, confirmou a fonte.

Os restantes suspeitos foram detidos em flagrante delito, por posse de armas ilegais e de droga, e deverão sair em liberdade com termo de identidade e residência. Aliás, estes elementos começaram ontem à tarde a ser ouvidos na esquadra de Benfica por vários procuradores tendo alguns saído em liberdade.

O número de detenções ultrapassou o que era esperado pelas autoridades. Tanto que o MP terá partido para a operação apenas com cerca de uma dezena de mandados de detenção. "Estavam preparados mandados para os dirigentes da claque , já que eram estes que estavam a ser investigados e indiciados por crimes graves", disseram-nos.

A investigação durava há mais de meio ano. Basta recordar que, " no dia 26 de Janeiro de 2008, um adepto do Vitória do Guimarães foi esfaqueado, após o jogo com o Benfica, naquela cidade, supostamente por elementos da claque ", sustentaram fontes policiais. Mas do processo constam outros episódios, o fogo ateado a um autocarro da claque do Porto, durante um jogo de hóquei, em Lisboa, em Julho, e uma agressão violenta a um agente da PSP. "Foram anexados vários processos a um só, que é o que está a correr agora", especificou fonte judicial.

A investigação, que irá continuar, tem sido coordenada pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP), precisamente por uma das equipas criadas no âmbito do reforço do combate ao crime violento.. No entanto, no terreno têm estado homens das Divisão de Investigação Criminal de Lisboa e do Porto também, no que toca a incidentes ocorridos na zona Norte. Ao que apurámos, alguns destes elementos deslocaram-se ontem à capital para participarem na execução dos mandados.

Acção começou à meia-noite

A operação começou logo à meia-noite, com o início dos preparativos para o terreno: a distribuição dos carros e dos efectivos pelas várias moradas, e sempre com a presença do procurador da República. Uma das zonas mais visadas foi a da Margem Sul, embora outras residências no resto do País, onde os No Nome Boys têm núcleos fortes (como Porto e arredores de Leiria) tenham sido passadas a pente fino.

O Estádio da Luz não escapou às buscas. Passava das 12.00 quando oito elementos à paisana pediram para entrar nas imediações do estádio, mas foram barrados pelo segurança, que teve reticências em os deixar passar antes de confirmar as identificações. Em vinte minutos, a PSP "vasculhou" o espaço habitualmente ocupado pela claque , entre a loja da Adidas e as bilheteiras. Os agentes recolheram documentos e tiraram fotografias. Fonte do clube confirmou que o mandado visava a apreensão de material pirotécnico, que também foi apreendido.

A operação da PSP aconteceu poucas horas antes do jogo do Benfica contra o Estrela da Amadora, e numa altura em que os elementos da claque teriam na sua posse material que costumam usar durante os eventos. No entanto, a explicação oficial para a execução dos mandados foi outra: "Tinham a data de hoje." Neste processo, poderão ser chamados a depor como testemunhas elementos da direcção do Benfica, pois o Ministé- rio Público quererá ouvir todas as entidades vitais para o apuramento da verdade e com conhecimentos sobre o funcionamento da claque.

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