Ministério Público 'indignado' com medidas de coacção da juíza

'Operação Fair Play'. Dos 30 detidos, só quatro estão em prisão preventiva. Líder espiritual da claque saiu do TIC só com apresentações diárias.

O Ministério Público ficou indignado com as medidas de coacção aplicadas pela juíza do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) que ouviu os detidos com ligações à claque do Benfica "No Name Boys", e para os quais tinha sido pedida prisão preventiva. Do grupo de 14 elementos presentes ao TIC, entre segunda e terça-feira, foi pedida preventiva para dez, "o grupo mais perigoso e violento", mas apenas quatro ficaram com a medida mais gravosa, havendo ainda outros dois em prisão domiciliária com pulseira electrónica. "Se neste processo não há prova, então não há em mais nenhum", argumentou ao DN fonte ligada à investigação.

Um dos casos que mais desagradaram ao MP foi precisamente a coacção atribuída ontem a um dos três líderes da claque , que saiu do TIC apenas com a obrigatoriedade de apresentações diárias na esquadra da residência. Fonte ligada ao processo explicou tratar-se do "líder espiritual da claque ", definindo-o como sendo o "pensador" e "orientador" das actividades do grupo, embora se mantivesse estrategicamente afastado dos actos praticados pela claque . Pité chegava a assistir aos jogos de outra zona do estádio, para observar a actuação dos seus "seguidores", ao contrário de Miguel Claro e Caturna, os "líderes operacionais", que ficaram em prisão preventiva. "Estes são dos elementos mais violentos e perigosos". Mas os três estão indiciados pelos crimes mais graves, como associação criminosa, ofensas à integridade física agravada, tráfico de droga, roubo e incêndio.

Além de Pité, Miguel e Caturna, que se situam na faixa etária entre os 25 e 35 anos, outros sete elementos foram também considerados perigosos - alguns adeptos do Sporting, mas associados à claque rival por indícios de tráfico de droga. Fonte ligada à investigação explicou que dos 30 detidos 19 ficaram com Termo de Identidade e Residência, cinco com apresentações periódicas (sendo uma diária, três semanais e uma mensal), quatro com prisão preventiva e dois com domiciliária. Através da investigação foi possível perceber que o grupo funcionava de forma organizada, preparando com rigor os actos violentos, após escutas telefónicas e vigilâncias, para apanhar as vítimas em circunstâncias fragilizadas. A investigação sobre a acção dos "No Name Boys" vai continuar. Hoje, a Procuradoria-Geral da República deverá emitir um comunicado para prestar alguns esclarecimentos sobre o processo.

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