Grupo mais perigoso inclui sportinguistas

'Operação Fair Play'. Dois dias de interrogatório resultam em quatro prisões, duas preventivas e duas domiciliárias. Medidas de coacção a aplicar aos três líderes da claque do Benfica 'No Name Boys' só hoje serão conhecidas. Adeptos de outros clubes indiciados por posse e tráfico de droga.

A investigação levada a cabo pela PSP e coordenada pelo Ministério Público (MP) a adeptos da claque dos No Name Boys, ligada ao Benfica, apanhou também elementos sportinguistas no núcleo considerado mais perigoso e que foi ontem ouvido no Tribunal de Instrução Criminal (TIC).

À saída, pelas 20.50, e após dois dias de interrogatório, fonte judicial confirmou aos jornalistas que dos 30 detidos na "Operação Fair Play", mais de metade integram o núcleo dos No Name Boys, e que, dos treze elementos ouvidos no TIC, há um grupo de sete que está indiciado pelos crimes mais graves. Destes, fazem parte simpatizantes do Sporting, indiciados pela prática de tráfico de droga. Uns e outros deverão aguardar julgamento em prisão preventiva e domiciliária, já que, ontem, quatro foram encaminhados para o Estabelecimento Prisional de Lisboa, ficando dois logo em prisão preventiva e outros dois a aguardar que lhes seja aplicada a prisão domiciliária com pulseira electrónica - caso esta não seja possível de executar, passarão também a presos preventivos.

Os três elementos considerados mais perigosos, os líderes da claque dos No Name Boys, foram os últimos a ser ouvidos ontem e só hoje conhecerão as medidas de coacção. A juíza do segundo juízo do TIC, que presidiu ao interrogatório, decidiu adiar a sua decisão por 24 horas, devido à complexidade do processo, que integra mais de 3000 folhas. Os suspeitos, que pernoitaram nos calabouços da Polícia Judiciária, na Gomes Freire, deverão regressar hoje ao TIC, pelas 14.00, para conhecerem o futuro.

No entanto, o DN sabe que o Ministério Público pediu a prisão preventiva para os três, dado que estão indiciados por crimes graves, como associação criminosa, ofensas à integridade física agravada, posse de tráfico de droga, roubo e incêndio, entre outros.

Os restantes seis dos treze levados a tribunal pelo MP saíram com termo de identidade e residência, entre os quais uma mulher. Destes, quatro ficaram com apresentações periódicas, três semanais e uma mensal. Há ainda um elemento (destes quatro) que ficou proibido de entrar em recintos desportivos, por suspeita de prática continuada de venda ilegal de bilhetes.

A existência de elementos adeptos a outros clubes entre os suspeitos vem confirmar que outras claques também serão investigadas, tal como o DN noticiou na segunda-feira, no âmbito do combate ao crime violento que está a ser levado a cabo por uma das equipas da Unidade Especial do MP, coordenada por Maria José Morgado.

A "Operação Fair Play", levada a cabo pela PSP e coordenada por um procurador da República, resultou, no domingo, em 30 detidos, mas a investigação irá continuar, já que durante esta foi recolhido material de prova documental e em suporte informático que ainda será analisado.

A operação, que envolveu 250 agentes da polícia, 185 da investigação criminal, 58 das equipas de intervenção rápida e três equipas cinotécnicas, atingiu Lisboa, Porto, Setúbal e Castelo Branco, tendo o maior número de detenções sido realizado na capital. Como o DN noticiou, o MP levava apenas mandados de detenção para os elementos indiciados pelos crimes mais graves. Os restantes foram detidos em flagrante delito, por posse e tráfico de droga e de armas ilegais.

Segundo a polícia, a investigação a este grupo levou quase um ano e tem por base nove casos graves, um deles o incêndio a um autocarro do Futebol Clube do Porto e agressões a adeptos de outras claques e a agentes de autoridade.

A mesma permitiu ainda perceber a forma como o grupo actuava e planeava os actos violentos, "com rigor, após vigilância e perseguição, de forma a apanhar as vítimas em circunstâncias mais fragilizadas". Este é assim o primeiro processo de investigação que envolveu a alegada actividade criminosa de toda uma claque . |

BALANÇO DA OPERAÇÃO FAIR PLAY DA PSP

250 agentes da PSP na 'Operação Fair Play', 185 da investigação crimininal, 58 da Intervenção Rápida e 3 equipas cinotécnicas

50 buscas, 48 domiciliárias e duas não domiciliárias. Destas últimas, uma foi ao Estádio da Luz

30 detidos, 28 homens e duas mulheres, dos 18 aos 35 anos, apenas 13 foram levados ao TIC

2 prisões preventivas foram decretadas ontem a elementos do núcleo mais perigoso

2 prisões domiciliárias com pulseira electrónica. Se não puderem ser executadas passarão a preventiva

23 termo de identidade e residência. Do lote de 30 detidos, 23 ficaram com TIR. Seis decretados ontem e segunda pelo TIC

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