Presidente da Liga gere guerra entre major e Ricardo Costa

Relação conflituosa entre os líderes da AG e da Comissão Disciplinar.

Um preside ao órgão supremo da Liga. O outro lidera o organismo que julga todas as infracções disciplinares em matéria desportiva imputadas a pessoas singulares ou colectivas. Convivem no mesmo edifício. Sentam-se lado a lado quando há novos regulamentos para legislar. Porém não se suportam, criticam a actuação um do outro e se pudessem demitiam-se um ao outro. Valentim Loureiro, presidente da mesa da Assembleia e Ricardo Costa, presidente da Comissão Disciplinar, há muito que estão de costas viradas. O "Apito Final" afastou-os definitivamente. O mau ambiente entre ambos só não fez estragos grandes na Liga porque o presidente da direcção, Hermínio Loureiro, em silêncio, tem sabido gerir a crise, não tomando partido publicamente por nenhum dos dirigentes que consigo foram eleitos.

"É um vaidoso armado em justiceiro, que demonstra uma fome e evidência", comentou em alto tom o major no final da terceira reunião da Assembleia Geral da Liga para alteração dos regulamentos de competição e disciplinar. Ricardo Costa - que a 9 de Maio condenou o Boavista à descida de divisão por coacção sobre árbitros, processos em que Valentim Loureiro foi o principal responsável pelo crime - não comentou. A AG não lhe correu de feição, o agravamento das punições para os batoteiro foi dada por encerrada na hora de votar o tráfico de influência.

Aliás, o que se passou ao longo dos três dias da AG são o espelho dos caminhos antagónicos em que os dois dirigentes se encontram. Os objectivos de Valentim Loureiro e Ricardo Costa são bem distintos.

Ambos vão ter que conviver neste clima de paz podre. A não se que algum se demita os que os clubes resolvam afastar um deles, ou os dois.

30 de Junho

A primeira reunião da AG começou com quase duas horas de atraso. Além do regulamento disciplinar a Assembleia Geral destinava-se também a discutir questões de funcionamento dos campeonato e alterações ao regulamento de Competições, entre elas o número de apanha-bolas, uma assunto aparentemente simples e consensual mas no qual se gastou cerca de uma hora. Na parte da tarde pouco avanço se registou, já que a AG acabou de forma brusca por ordem do major, que por volta das 17.30 foi alertado por um funcionário de que uma consulta médica o esperava. De nada valeu a intervenção de Hermínio Loureiro, presidente da Liga, a sensibilizar os clubes para continuarem a reunidos. É escolhido o dia 2 para nova reunião. "Os trabalhos decorreram com uma inusitada calma olímpica", comentou no final Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica

2 de Julho

A segunda reunião começou à tarde. Foram apreciados e votados as restantes alterações do Regulamento de Competições, passando-se depois à discussão do Regulamento Disciplinar. Ricardo Costa explicou a necessidade das propostas apresentada pela sua CD. Entre elas a criação de uma nova infracção, o "tráfico de influências". Depois da exposição, o Vitória de Guimarães tentou suspender a reunião propondo a nomeação de uma comissão de estudo. Valentim mostrou-se receptivo e coloca-a à votação. A proposta é chumbada, mas com uma votação equilibrada, tanto que o major resolveu fazer outra contagem, que confirmou o resultado.

Os clubes passaram então à votação na especialidade de cada um dos artigos. Até que Valentim Loureiro sentiu o apetite chegar - "eu não tenho a vossa idade, estou com fome" - e propõe a interrupção para jantar. Eram 18.30. O reinicio foi marcado para as 21.00, mas recomeçou às 21.40. O advogado do FC Porto, André Carvalho, diz que vai votar contra todas as propostas da CD porque não lhe reconhece legitimidade para fazer propostas. Quando a infracção de corrupção começou a ser discutida, Valentim, aproveitou para expor a sua visão sobre coacção. O artigo 51.º é votado: consumação da corrupção dá-se com a solicitação aos árbitros punida com descida de 1 a 2 escalões. Seguiu--se o tráfico de influências. Os esclarecimentos arrastam-se até às 00:30. Valentim Loureiro propõe novo adiamento da AG, o Benfica sugere mais uma hora, mas prevalece a vontade do major.

9 de Julho

Braga e Académica propõe novamente o encerramento da AG e a nomeação de uma comissão. Benfica e Rio Ave dizem que a proposta do Braga é ilegal, porque o Regulamento Geral não permite novas propostas sobre o mesmo assunto. Valentim sugere então que o Braga substitua a proposta por requerimento e este é colocada à votação. Muitos dos clubes que antes votaram contra a suspensão da Assembleia mudam o seu sentido de voto. Aprova-se por maioria o encerramento da assembleia. Lá fora, Valentim Loureiro confessa a sua satisfação e crítica o presidente da CD: "O culpado disto tudo foi do Ricardo Costa, quando na sentença do 'Apito Final' se pôs a dizer que, se os regulamentos fossem outros, mais clubes desciam e as punições seriam outras".

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