Procurador de Gondomar admite revelar identidade do perseguidor

Carlos Teixeira, o procurador de Gondomar que investigou o processo "Apito Dourado", está disposto a revelar a identidade da pessoa que o terá perseguido durante a fase de investigação, caso a Procuradoria-Geral da República decida abrir um inquérito, o que até agora não aconteceu. Questionado pelo DN se realmente se trata de Valentim Loureiro, Carlos Teixeira declarou: "Não faço declarações sobre o assunto mas, se for chamado a prestar depoimento em algum processo, contarei tudo o que sei e o que vi. À imprensa nada direi."

Anteontem, no mesmo dia em que o Correio da Manhã avançava que o major tinha perseguido o procurador, Valentim Loureiro desmentia as acusações em entrevista à RTP. "Já respondi que é mentira. Eu nunca persegui ninguém." Em Dezembro de 2006, o mesmo jornal garantia que o procurador era perseguido por elementos ligados à DINFO (antiga secreta militar) e de um antigo inspector-chefe da Polícia Judiciária, que possui uma empresa de segurança e detectives privados. Seja como for, desde 2004 que nos círculos do Ministério Público do Porto são comentadas as perseguições. Aliás, em Novembro desse ano, o actual procurador distrital do Porto, Pinto Nogueira, denunciou a situação numa entrevista do DN.

Crime público

Desde então, nenhum inquérito foi aberto, apesar de o crime de "coacção contra órgãos constitucionais" ser público, isto é, não necessita de queixa para que ser investigado. Também Carlos Tei- xeira não formalizou qualquer queixa. Uma atitude que, segundo fontes do Ministério Público do Porto consultadas pelo DN, poderá estar relacionada com o facto de o autor das perseguições ser um arguido do processo.

"Caso fosse iniciado o processo e identificado um arguido como autor dos crimes, tal poderia constituir um motivo para o afastamento do procurador Carlos Teixeira do 'Apito Dourado'", declarou um magistrado.

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