Pinto de Sousa acusado pelo Ministério Público

'Apito Dourado'. Os magistrados ligados ao processo já deduziram acusação relativa ao inquérito de viciação das classificações dos árbitros das três principais categorias nas épocas de 2002/03 e 2003/04. Pinto de Sousa é o arguido com o maior número de crimes imputados

Pinto de Sousa é o principal acusado no inquérito relativo à viciação das classificações dos árbitros das três principais categorias nas temporadas de 2002/03 e 2003/04.

A investigação está terminada e a acusação deduzida, apurou o DN, tendo os magistrados da equipa de coordenação do processo Apito Dourado imputado ao ex-presidente do conselho de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) cerca de 140 crimes de corrupção passiva para acto ilícito e falsificação de documento. Juntamente com Pinto de Sousa surgem acusados outros responsáveis da FPF, incluindo membros do conselho de arbitragem de pelo menos duas associações de futebol e cerca e uma dezena de árbitros.

No total, são cerca de 20 os propostos pelo MP para julgamento, entre os 50 arguidos que constavam da certidão extraída do processo principal pelo procurador Carlos Teixeira. Os arguidos e respectivos advogados já começaram a ser notificados deste despacho de acusação.

A equipa coordenada por Maria José Morgado procedeu a dezenas de diligências e a perícias para esclarecer a responsabilidade de quem esteve envolvido na sub e sobrevalorização das notas atribuídas aos árbitros das três principais categorias nas temporadas de 2002/03 e 2003/04.

O Ministério Público acredita que as classificações eram viciadas, havendo indícios de que Pinto de Sousa dialogava com os presidentes dos conselhos de arbitragem dos diversos distritos, antes de tomar qualquer decisão sobre quem descia ou subia de categoria. Na óptica do MP, mais do que a qualidade individual de cada árbitro, eram atendidos os interesses das associações distritais e regionais de futebol.

Para a elaboração da classificação desta categoria assumem papel preponderante os observadores da 1.ª categoria. Estes eram nomeados por Mário Borges Gagliardini Graça, vogal da comissão de arbitragem da LPFP. Em conversa com o árbitro assistente António Manuel Perdigão da Silva, Pinto de Sousa, no dia 08/07/03, disse: "As nomeações de observadores feitas pelo Mário Graça estão viciadas…(…) o Mário Graça é o mais venal… é o indivíduo que o Valentim domina completamente…"

Uns dias antes, em 26/06/03, Pinto de Sousa terá dito a Pinto de Costa referindo-se à classificação final dos árbitros: "É uma questão de… fazer uns pequenos ajustes, a ver se isto se resolve!"

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