'Fuga' para Espanha leva Pinto da Costa a Morgado

Presidente do FC Porto e o seu braço direito, Reinaldo Teles, foram inquiridos no Porto como testemunhas por elementos da equipa de Maria José Morgado. Em causa estarão os contornos da ida de Pinto da Costa para Espanha, em Dezembro de 2004, dias antes da sua detenção.

Jorge Nuno Pinto da Costa e Reinaldo Teles foram ontem inquiridos como testemunhas por elementos da equipa de Maria José Morgado. Em causa, segundo as informações recolhidas pelo DN até à hora de fecho desta edição, terá estado uma eventual fuga de informação ocorrida durante a fase de investigação do processo "Apito Dourado", em Dezembro de 2004, que terá permitido a Pinto da Costa ausentar-se do país dias antes de estar programada a sua detenção. À saída da Polícia Judiciária do Porto, o presidente do FC Porto disse que foi ouvido como "testemunha".

Durante a tarde de ontem, e apesar de a presença de Pinto da Costa e Reinaldo Teles na PJ do Porto ser pública e notória, não foi possível obter qualquer esclarecimento junto da Equipa de Coordenação do Processo Apito Dourado, liderada pela procuradora-geral adjunta Maria José Morgado. Ao que foi possível apurar, as inquirições terão estado relacionadas com o que foi descrito por Carolina Salgado no seu livro e, posteriormente, confirmado perante a tal Equipa de Coordenação.

No livro Eu Carolina, a ex-companheira de Pinto da Costa conta que no dia 1 de Dezembro de 2004 teve lugar uma reunião entre o presidente do FC Porto, Reinaldo Teles, e o advogado Lourenço P into, na qual este último terá revelado estar iminente a detenção dos dois dirigentes portistas, assim como a do empresário António Araújo. O que viria a confirmar-se com a detenção de Araújo (que Carolina Salgado afirma não ter sido avisado propositadamente). Neste dia, Pinto da Costa e Carolina Salgado - segundo a versão da própria - já estavam em Espanha.

Pinto da Costa acabaria por ser ouvido em primeiro interrogatório como arguido no dia 7 de Dezembro de 2004, acabando a noite no Estádio do Dragão, onde ainda assistiu ao jogo entre o FC Porto e o Beira-Mar.

Carolina Salgado terá mantido esta versão quando foi ouvida por magistrados da equipa de Maria José Morgado. Daí a inquirição a Reinaldo Teles, que também ocorreu ontem nas instalações da PJ do Porto.

Ao que o DN apurou, a estratégia de Pinto da Costa e de Reinaldo Teles, notificados na passada semana para a diligência de ontem, terá passado por descredibilizar o testemunho de Carolina Salgado, invocando razões pessoais para o comportamento da ex-companheira de Pinto da Costa.

À saída da PJ do Porto, Pinto da Costa mostrou-se agastado com a presença de muitos jornalistas. Questionado sobre o motivo da sua presença na PJ, o presidente do FC Porto remeteu a resposta para "quem avisou" os jornalistas da sua presença. Reinaldo Teles não prestou quaisquer declarações e Pinto da Costa adiantou apenas que foi ouvido na qualidade de testemunha. Escusou-se, porém, a revelar qual o assunto em concreto que foi abordado com os inspectores da PJ.

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