Família Loureiro cercada pela Justiça

Valentim Loureiro acusado de 26 crimes dolosos de corrupção sob a forma de cumplicidade

O pai, Valentim, vai a julgamento por crimes de corrupção desportiva. O filho dirigente desportivo, João, foi esta semana acusado pelo Ministério Público de um crime de corrupção desportiva. E o empresário Jorge está a ser investigado pela Polícia Judi-ciária do Porto devido à compra de um terreno em Gondomar conhecido como a Quinta do Ambrósio. São três Loureiros a braços com a Justiça.

Depois do despacho de pronúncia do processo de Gondomar, que confirmou a acusação do Ministério Público, levando a julgamento Valentim Loureiro, entre outros, acusado de 26 crimes dolosos de corrupção sob a forma de cumplicidade, esta semana a equipa coordenada por Maria José Morgado decidiu avançar com um despacho de acusação sobre o caso Boavista-Estrela da Amadora (da época 2003/2004) que envolve Valentim, na qualidade de presidente da Liga, e João Loureiro, presidente do Boavista. Ambos terão sido acusados de um crime de corrupção desportiva activa.

O caso diz respeito a uma certidão retirada do processo "Apito Dourado". No jogo em causa, o Boavista acabou por perder por 1-2, mas os indícios recolhidos pelo Ministério Público revelaram uma eventual predisposição do árbitro Jacinto Paixão (também acusado) para que o resultado fosse outro.

Dias antes do jogo, segundo as escutas telefónicas, João Loureiro contactou com o observador Pinto Correia, dando-lhe conta da nomeação de Jacinto Paixão. O observador terá dito a João Loureiro que iria falar com Jacinto Paixão no sentido de este ajudar o Boavista. Contudo, os axadrezados perderam, e no final do encontro foi escutada uma conversa entre Valentim e Jacinto Paixão, na qual este tenta justificar-se: "Mas aquilo não se podia fazer mais." O major compreendeu: "Eu vi, eu vi. Aquilo esteve mal! Também os gajos cada vez que foram lá acima... deu logo um goleco." Nas declarações que prestou no processo, José Espada, árbitro assistente, foi categórico ao afirmar que Paixão teve uma actuação "bastante parcial e tendenciosa, claramente favorável à equipa do Bosvista".

Mas, se neste processo houve despacho de acusações, no caso Boavista-Alverca, Maria José Morgado decidiu arquivar. Nesta partida, o Boavista, que se encontrava a perder por 0-1 aos 90 minutos, deu a volta ao resultado (2--1) nos sete minutos de compensação que o árbitro Paulo Pereira concedeu.

O caso da Quinta do Ambrósio

Nesta sequência de processos, Jorge Loureiro surge ligado à compra de um terreno em Gondomar (ver DN de 19 de Junho de 2006), por um milhão de euros, posteriormente vendido por quatro milhões à Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP). Jorge Loureiro, Laureano Gonçalves (antigo dirigente da arbitragem) e José Luís Oliveira (ex-vice- -presidente da Câmara de Gondomar e arguido no processo "Apito Dourado") compraram o terreno, que se encontrava inserido em zona de Reserva Agrícola Nacional (RAN). Num par de semanas, o terreno foi desafectado e vendido. A PJ do Porto está a investigar.

ESCUTAS

"Mas aquilo não se podia fazer mais."

Jacinto Paixão para Valentim Loureiro após o jogo Boavista-Estrela da Amadora, em que os axadrezados perderam por 2-1

"Eu vi, eu vi, aquilo esteve mal! Um... pronto... foi azar. Também os gajos, cada vez que foram lá acima... deu logo um goleco. Eu já falei com o homem [observador ao jogo] e tal. Tem uma boa nota e tal (...) Isto está a correr bem."

Resposta de Valentim a Jacinto Paixão

Jacinto Paixão teve uma actuação "bastante parcial e tendenciosa claramente favorável à equipa do Boavista, assinalando várias faltas contra o Estrela da Amadora que não existiam, principalmente em situações perto da grande área, criando assim de forma injusta situações para o Boavista poder marcar golo".

José Espada, árbitro assistente do Boavista- -Estrela da Amadora, em declarações ao Ministério Público de Gondomar

José Espada acrescentou que "na viagem de regresso a Évora, ouviu Jacinto Paixão a falar ao telemóvel com um ex-dirigente do Boavista, Hernâni Ascensão", tendo Jacinto Paixão confidenciado a esse dirigente que fez tudo para ajudar o Boavista e que, mesmo assim, este clube acabou por perder o jogo.

Ministério Público de Gondomar, referindo-se a acontecimentos posteriores ao jogo Boavista-Estrela da Amadora

"Um dia depois do jogo, Valentim Loureiro telefonou para o árbitro Paulo Pereira (...) Intitulando-se como o 'chefe da banda', demonstrou estar satisfeito com a arbitragem. Este árbitro prolongou o jogo por mais sete minutos. O Boavista, que aos 90 minutos se encontrava a perder por 0-1, marcou dois golos no decorrer deste período de descontos."

MP de Gondomar sobre o jogo entre Boavista e Alverca, arquivado por Maria José Morgado

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