E vão três acusações para Pinto da Costa

O presidente do FC Porto recebeu a terceira acusação em 11 dias, desta vez relativa ao Nacional-Benfica. Pinto da Costa é acusado de ter mandatado o empresário António Araújo para pedir ao árbitro Augusto Duarte que prejudicasse os encarnados

Pinto da Costa viu-se ontem acusado pela terceira vez em 11 dias pela equipa de Maria José Morgado, a procuradora-geral adjunta que coordena o processo "Apito Dourado". Desta vez, a acusação refere-se ao jogo Nacional-Benfica, também da época 2003/2004, no qual o presidente portista é acusado de crime de corrupção activa sobre o árbitro do jogo, o bracarense Augusto Duarte. O Ministério Público do Funchal decidiu também levar a julgamento, pelo mesmo crime, o presidente do Nacional, Rui Alves, e o empresário António Araújo, que é comum a todos os três casos em que Pinto da Costa foi acusado. Augusto Duarte foi acusado por corrupção desportiva passiva.

A certidão relativa ao Nacional- -Benfica foi mais uma reaberta por Maria José Morgado depois de ter sido arquivada anteriormente pelo Ministério Público. E desta vez, ao contrário do que aconteceu nos casos relativos ao FC Porto-Estrela da Amadora e ao Beira-Mar-FC Porto, a acusação baseia-se nos mesmos factos já apurados durante a investigação feita pelo Ministério Público de Gondomar. Sem influência, portanto, das declarações de Carolina Salgado, a ex- -companheira de Pinto da Costa cujos depoimentos foram decisivos para as duas acusações anteriores ao presidente portista.

De acordo com o Ministério Público, o presidente do Nacional, Rui Alves, terá informado o empresário António Araújo, cinco dias antes do jogo com o Benfica (realizado no dia 22 de Fevereiro de 2004), que o árbitro seria o bracarense Augusto Duarte. Ao que o empresário, com ligações estreitas ao FC Porto e ao clube madeirense, respondeu "espectáculo, espectáculo" - segundo consta das escutas realizadas pela Polícia Judiciária -, sugerindo a Rui Alves que Augusto Duarte fosse abordado para beneficiar o Nacional. O dirigente aceitou de pronto: "Sim, toca a andar.".

No dia seguinte, António Araújo marcou encontro, por telefone, com o árbitro bracarense e reuniu-se com Pinto da Costa, a quem chamou "padre da freguesia das Antas". Assim, segundo o Ministério Público, António Araújo estaria "duplamente mandatado" para abordar Augusto Duarte - pelo presidente do Nacional, que queria vencer o jogo, e pelo presidente do FC Porto, interessado na derrota do Benfica, que ainda não estava arredado do título. O FC Porto estava em primeiro lugar, com cinco pontos de avanço sobre o Sporting e nove sobre o Benfica, a 11 jornadas do final.

Nesse mesmo dia, António Araújo foi escutado em conversa com Luís Gonçalves, um elemento ligado à SAD do FC Porto. "Estive a tratar com o presidente aquela situação do Nacional".

O Benfica perdeu o jogo por 3-2 e, no final, o presidente do Nacional informou o empresário António Araújo de que Pinto da Costa lhe teria exclamado, radiante: "Esses [Benfica] já não nos vão chatear mais." Ao que o empresário respondeu: "Manda quem pode, obedece quem tem juízo."

Após esta terceira acusação, o presidente do FC Porto aguarda ainda, no âmbito do "Apito Dourado", o despacho final do processo das agressões ao antigo vereador do PS na Câmara de Gondomar Ricardo Bexiga, bem como em relação ao processo da alegada viciação das classificações dos árbitros.

Gil Moreira dos Santos, advogado de Pinto da Costa, reagiu em comunicado a esta terceira acusação ao líder portista, considerando-a "infundada". E contesta o facto de a acusação se basear «tão só em conversas telefónicas de terceiros» nas quais o nome de Pinto da Costa «é abusivamente referenciado». Por fim, anuncia que vai ser requerida a abertura de instrução.

Rui Alves tranquilo

Contactado pelo DN, o presidente do Nacional da Madeira disse desconhecer a notificação por se encontrar fora do País. "Mas continuo a dizer o que sempre disse: mantenho-me de consciência tranquila", defendeu. Rui Alves diz não perceber o envolvimento do seu nome neste processo e garante que "o Ministério Público é apenas uma parte da justiça". Por isso, afiança, se se confirmar a notificação da acusação, irá requerer a abertura da instrução do processo. "Porque isso vai poupar muito tempo à justiça portuguesa", assegura.

Vítor Pereira não comenta

O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga de Clubes, Vítor Pereira, recusou comentar as acusações ao árbitro Augusto Duarte e delegou na Comissão Disciplinar (CD) a responsabilidade de avaliação de todos os processos relativos ao "Apito Dourado". "A Liga tem órgãos técnico desportivos, como é o caso da Comissão de Arbitragem, e órgãos técnico-disciplinares. Neste sentido, a CD saberá tomar as medidas apropriadas no âmbito das normas disciplinares", limitou-se a comentar Vítor Pereira, em declarações à agência Lusa.

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