Debate público sobre a Colina de Santana

Assembleia Municipal começa esta terça-feira a debater, às 18.00, o Projeto Urbano da Colina de Santana. O pretexto é a reconversão dos hospitais Miguel Bombarda, São José, Santa Marta e Santo António dos Capuchos, mas o objetivo é que a intervenção implique a reorganização de toda aquela área. É a primeira vez, desde a cidade medieval, que é objeto de planeamento.

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Os dados estão prestes a ser lançados: depois de uma primeira fase de discussão pública, em julho, das propostas de loteamento nos hospitais Miguel Bombarda, São José, Santa Marta e Santo António dos Capuchos, começa esta terça-feira a ser debatido na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) o Projeto Urbano da Colina de Santana. O pretexto são as reconversões planeadas para aqueles complexos, mas o debate, dividido por cinco sessões, irá mais além, abrangendo toda a paisagem da única das sete colinas históricas da capital que não confina com o rio Tejo.

São mais de 340 as páginas que compõem o estudo que irá servir de base à reorganização de toda a área localizada entre as avenidas da Liberdade e Almirante Reis e delimitada pelo Martim Moniz, a Rua do Conde de Redondo e a Rua Jacinto Marto, onde se situa o Hospital Dona Estefânia. O equipamento é uma das oito grandes unidades existentes na Colina de Santana, mas não tem, tal como a sede da Academia Militar, qualquer intervenção prevista, ao contrário do que acontece com as restantes - os hospitais Miguel Bombarda, Desterro, São José, Capuchos e Santa Marta e o Convento de Santa Joana, que foi casa da Divisão de Trânsito da PSP.

Os dois primeiros imóveis estão já desativados, devendo as três outras unidades de saúde fechar portas em 2017, quando for inaugurado, na zona oriental de Lisboa, o Hospital de Todos-os-Santos. Só então todas as reconversões vão poder avançar, estando previsto, segundo o estudo da autoria do ateliê Inês Lobo Arquitetos, que deem lugar, consoante o caso, a hotéis ou a prédios de habitação e serviços.

No centro da polémica tem estado sobretudo o alegado desrespeito pelo valor patrimonial dos edifícios, testemunhos materiais da história de uma colina que se foi desenvolvendo sem qualquer planeamento urbanístico. A cidade medieval situava-se "na imediata periferia do que seria o núcleo urbano denso" e destinava-se à atividade agrícola, albergando ainda a Gafaria de São Lázaro (dedicada ao tratamento de leprosos) e, mais tarde, o matadouro e o campo do curral - hoje Campo dos Mártires da Pátria - onde se negociava gado.

Já no século XVI, a Colina seria "o lugar escolhido por várias ordens religiosas para assentar casas no capital", definindo até hoje "as grandes unidades como elemento fundamental do desenho urbano". Muitos destes edifícios seriam afetados pelo Terramoto de 1755, mas acabaria por ser a expulsão das ordens religiosas, no século XIX, a alterar definitivamente a vocação daqueles imóveis, reconvertidos então em "equipamentos públicos associados a saúde, assistência social, educação, exército, etc.".

A "colina da saúde", onde estão também instaladas instituições do ensino superior, é agora a "colina do conhecimento", estando "à beira de uma nova transformação". Hoje, a partir das 18.00 e durante duas horas e meia, o caminho começa a ser desbravado.

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