Web Summit expande-se para o Brasil em 2023

Paddy Cosgrave, o principal rosto da Web Summit, anunciou esta terça-feira que haverá uma edição no Rio de Janeiro, em 2023. Será a primeira edição do evento fora da Europa. Novo evento não afeta permanência da Web Summit em Portugal.

A Web Summit vai expandir-se para o Brasil e a primeira edição da cimeira tecnológica liderada por Paddy Cosgrave vai realizar-se em maio de 2023, foi esta terça-feira anunciado numa videoconferência de imprensa. Será a primeira vez que a Web Summit se realizará fora do continente europeu, replicando o que já faz em Lisboa na cidade do Rio de Janeiro com o Web Summit Rio.

A Web Summit Rio ocorrerá entre os dias 1 e 4 de maio de 2023. A sua realização não colocará em causa o evento principal que continuará a ocorrer em Portugal, nos primeiros dias de novembro. Em 2022, a Web Summit está agendada para os dias 1 a 4 de novembro, em Lisboa. Além do Brasil, estão na calha outros novos eventos da empresa na Ásia e na América do Norte, além dos que já são organizados pela Web Summit.

Em videoconferência de imprensa, Paddy Cosgrave explicou que a organização decidiu avançar com um evento com marca própria no Brasil por se tratar de um "mercado de rápida expansão para startups e tecnológicas", contando já com 21 empresas de rápido crescimento com o estatuto de "unicórnio" (empresas avaliadas mil milhões de dólares, ou cerca de 950 milhões de euros, no mínimo).

Paddy Cosgrave realçou que o Brasil é o "único país da América latina entre os dez principais países com unicórnios" que está a acumular "reputação internacional". "O Brasil é um gigante adormecido, que está a ganhar força e a acordar", afirmou Paddy Cosgrave. Por isso, a Web Summit quer explorar uma oportunidade identificada naquela região, em linha com o objetivo de tornar a Web Summit "numa marca mundial". "Há um plano maior para a Web Summit chegar a vários mercados mundiais", referiu.

Sem identificar quais, o cofundador da Web Summit revelou que a cidade do Rio de Janeiro superou a concorrência de outras duas cidades. Mas, numa entrevista à brasileira Exame, em novembro de 2021, Cosgrave já tinha antecipado a chegada da Web Summit ao Brasil em 2023, notando que a organização escolheria ou o Rio de Janeiro ou a capital Brasília. A Web Summit Rio também é confirmada meio ano depois do evento principal, em Lisboa, ter recebido a maior comitiva de sempre de empresários e empreendedores brasileiros (120 investidores ao todo).

Ainda assim a chegada ao Brasil ocorrerá um ano depois do previsto. Na sua conta de Twitter, em 2020, Paddy Cosgrave prometia uma edição da Web Summit na América do Sul no ano de 2022. Na mesma publicação, revelava que o Brasil seria o país escolhido face a uma shortlist de cinco países latinos. Mas, nessa altura, a dúvida que havia era se o evento iria para o Rio de Janeiro ou para Porto Alegre.

Para a primeira edição do Web Summit Rio são esperados mais de dez mil participantes de todo o mundo. O evento ocorrerá no Rio Centros, um centro de convenções com quase 87 mil metros quadrados.

O evento no Rio de Janeiro é assegurado por um contrato entre a câmara da cidade e a Web Summit, tendo o apoio de organizações empresariais locais como a Invest.Rio. Para já, há acordo para que a Web Summit Rio ocorra até 2025.

"A parceria com a cidade [de Rio de Janeiro] é semelhante à que existe com Lisboa. Temos acordo para vários anos: para já, serão três, com opção de haver prolongamento", salientou Paddy Cosgrave.

Lisboa continua a ser a casa-mãe

Quanto a Portugal, Cosgrave garantiu que nada muda. O que acontece é que a marca Web Summit passa a ser utilizada em dois eventos, que se realizam em duas localizações diferentes, sendo que a cidade de Lisboa continuará a ser a casa-mãe, acolhendo o evento principal.

Referindo que a capital portuguesa é "muito especial" para toda a equipa da Web Summit, o líder de uma das maiores feiras tecnológicas da Europa assegurou que "Portugal não tem que se preocupar".

"A Web Summit vai continuar por cá durante muito tempo. Lisboa continuará a ser a casa do nosso evento principal", frisou Cosgrave, revelando, ainda, que nem a Câmara Municipal de Lisboa nem o governo terão de ser compensados pela utilização da marca Web Summit noutra geografia.

Foi em 2016 que a Web Summit se instalou em Lisboa, após sete edições em Dublin, na Irlanda. A organização procurava dar um salto qualitativo no evento e pelo caminho encontrou Portugal. Em outubro de 2018 foi anunciado um acordo com a Câmara Municipal de Lisboa e o governo, para segurar a Web Summit em Portugal até 2028. Em troca, as autoridades locais aceitaram pagar 11 milhões de euros por ano à equipa de Cosgrave.

Além de Lisboa, a Web Summit realiza outros eventos noutros países, como o Collision em Toronto (Canadá) e o Rise em Hong Kong.

Rio de Janeiro quer o mesmo que Lisboa

De acordo com o Wall Street Journal, logo no primeiro ano em Portugal, a Web Summit gerou mais de 200 milhões de euros na economia portuguesa só na semana em que ocorreu. Há um ano, a organização revelava que tinha gerado em Portugal uma receita fiscal de 30 milhões de euros, só em 2017. Acresce que o evento terá contribuído para que empresas mundiais como a Mercedes, a BMW, a Google, a Cisco, a Revolut a Uber ou a Nokia aprofundassem operações em Portugal, criando cerca de três mil empregos. É, precisamente este tipo de efeito que as autoridade brasileiras querem promover no Rio de Janeiro através da Web Summit.

Também presente na videoconferência de imprensa, Eduardo Paes, prefeito (cargo equivalente a um presidente de câmara municipal)​​​​ do Rio de Janeiro, afirmou que a realização da Web Summit naquela região pode ser "um momento de viragem para o Brasil". Por isso, apelou a todos os interessados que descubram o Brasil, tal como Portugal o fez há mais de cinco séculos."Apelamos a que todos venham descobrir o Brasil tal como Portugal o fez em 1500", disse.

De acordo com Eduardo Paes, o impacto económico da Web Summit é estimado em, pelo menos, um bilião de reais (190 milhões de euros, aproximadamente). Para aquele autarca, o objetivo é alavancar ainda mais o ecossistema empresarial da região, apoiando o desenvolvimento global brasileiro. "O Rio tem tradição em acolher grandes eventos internacionais, e estamos orgulhosos por sermos a primeira cidade da América latina a acolher este grande evento. Agora, mais uma vez, vamos liderar a região ao reunir as melhores empresas, talentos e investidores para discutir tecnologia e inovação", afirmou.

A afirmação de empresas e empresário brasileiros através da Web Summit terá também o apoio de associações empresariais locais, como a Invest.Rio que será parceira do evento. "A Web Summit Rio marca o início de uma parceria entre a cidade do Rio de Janeiro e a Web Summit para transformar o ecossistema tecnológico da América latina", acredita Rodrigo Stallone, CEO da Invest.Rio, citado num comunicado enviado à redação após o anúncio de Cosgrave.

"Estamos confiantes que a Web Summit encontrou uma nova casa para a próxima década, e certos de que a Web Summit será um importante parceiro na construção de uma cidade mais sustentável, tecnológica e inclusiva", acrescentou.

José Varela Rodrigues é jornalista do Dinheiro Vivo

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