Vinhos do Porto e Douro com vendas recorde de 600 milhões em 2021

Crescimento das exportações permitiu anular a quebra do "Porto" no mercado nacional que, apesar de ter recuperado terreno, está ainda 19% abaixo do período pré-pandemia. IVDP vai ter 2,5 milhões para promoção.

Os números do mercado nacional não estão ainda completamente fechados, mas tudo indica que o recorde de vendas de vinhos da Região Demarcada do Douro será "amplamente batido" em 2021, atingindo a fasquia dos 600 milhões de euros. Números adiantados ao Dinheiro Vivo pelo presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), Gilberto Igrejas, que fala num ano "manifestamente muito positivo" e num "marco histórico" que atesta "a resiliência das gentes do Douro e dos agentes económicos nos mercados internacionais".

A legislação impõe que as declarações de vendas no mercado nacional sejam entregues até 15 de janeiro, pelo que, só esta semana, será possível aferir os dados totais ao cêntimo. Mas, na sexta-feira, dia 14, as vendas da região totalizavam já os 599,2 milhões de euros. O maior contributo vem do vinho do Porto, que acumula vendas totais de quase 391 milhões de euros, 15% acima do ano passado (a pandemia foi difícil para o vinho do Porto) e 3% acima já de 2019, ano em que, pela primeira vez depois de oito anos consecutivos de queda, o vinho do Porto havia dado um sinal de recuperação, ao crescer 2,5% em valor.

A estes 391 milhões acrescem os 190,3 milhões dos vinhos DOP (Denominação de Origem Protegida) Douro, cujo crescimento face a 2019 ronda os 9%. Os restantes 18 milhões correspondem, maioritariamente, ao DOP Moscatel Douro e aos vinhos com Indicação Geográfica Duriense.

Precisamos que a lei do OE crie uma exceção para a rubrica de promoção do IVDP, para que não haja cativações, e esta fique disponível de imediato no arranque do novo ano"

O grande contributo para esta performance vem das vendas no exterior, que cresceram 9%, no global da região, face a 2019, totalizando 403 milhões de euros. As exportações corresponderam a 67,2% das vendas totais dos vinhos DOP Porto e Douro. Gilberto Igrejas fala num comportamento "verdadeiramente assinalável" das exportações, que cresceram 8% no vinho do Porto e 12,8% nos vinhos do Douro, face ao período pré-covid.

Pelo contrário, o mercado nacional continua sem recuperar totalmente, pelo menos no que diz respeito ao vinho do Porto, cujas vendas se estimam na ordem dos 52 milhões de euros, 19% abaixo de 2019. Números que atestam o efeito no setor das quebras do turismo a norte durante 2021. "Os portugueses, definitivamente, não bebem regularmente vinho do Porto", diz Gilberto Igrejas que, apesar de tudo, destaca a recuperação verificada ao longo do ano. "Partimos com valores, em março, na ordem dos 28% de quebra, o que significa que recuperámos 11 pontos percentuais ao longo de 2021", frisa.

Mais importante ainda é que não só se estão a vender mais vinhos, como se estão a vender mais caros. O preço médio na região está nos 4,85 euros por litro, sendo que o vinho do Porto cresceu 2,6% para 5,18 euros. O DOP Douro está nos 4,45 euros.

Perspetivas para 2022

Já para 2022, o IVDP aposta no reforço da promoção e dos pilares estratégicos da sua ação na região, com especial destaque para a sustentabilidade, em todas as suas vertentes, e para a inovação tecnológica e modernização administrativa.

"Temos que rapidamente nos articular com todas as valências da sustentabilidade, incluindo a social, porque é preciso garantir que este valor que a região gera vai chegar, na cadeia redistributiva, aos agricultores", defende.

Gilberto Igrejas acredita que os agentes económicos já perceberam que, se não fizerem chegar também aos agricultores o acréscimo de valor que obtêm, "dificilmente" terão mão-de-obra no futuro. "Temos um tecido económico envelhecido, que tem custos de produção elevadíssimos; se não é ressarcido dos seus custos, este tecido económico tende a desaparecer", alerta. O dirigente lembra que o IVDP "não tem qualquer competência para fixar preços", mas espera que, através da partilha dos dados de comercialização, "seja possível influenciar os agentes económicos e o público consumidor".

No âmbito da modernização administrativa, destaque para os protocolos que o IVDP está a assinar com os municípios, que estão a montar gabinetes de atendimento ao agricultor, evitando que estes se tenham de deslocar à sede do instituto, em Peso da Régua. Freixo de Espada à Cinta, Meda, Torre de Moncorvo ou Vila Nova de Foz Côa são alguns exemplos.

2,5 M€ para promoção

Consciente de que o trabalho de promoção, nacional e internacional, dos vinhos é "importantíssimo", Gilberto Igrejas quer que o próximo ministro das Finanças aceda a "excecionar a rúbrica da promoção" das cativações automáticas da contabilidade pública. O que permitirá que, na entrada do novo ano civil, esta parcela do orçamento fique, de imediato, disponível e seja possível lançar concursos plurianuais.

É que, dos 2,5 milhões de euros, que o IVDP tinha orçamentados, em 2021, para promoção, só conseguiu gastar à volta de 1,3 milhões, por efeito da pandemia. O problema é que o valor por utilizar reverteu, de imedaito, no final do ano civil, para o saldo de gerência do instituto, sujeito às regras da contabilidade pública, apesar do seu orçamento ser integralmente financiado pelas taxas dos produtores. Para 2022, o orçamento de promoção previsto volta a ser de 2,5 milhões.

ilidia.pinto@dinheirovivo.pt

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