Vacinas: Levantar patentes pode não levar a "perdas relevantes" para farmacêuticas

Na semana em que o Parlamento Europeu reúne-se para discutir as patentes das vacinas contra a covid-19, o economista Paulo Rosa admite que um eventual levantamento das patentes ou licenciamento pode não se traduzir, para as farmacêuticas que detêm patentes, em "perdas relevantes, porque estas farmacêuticas detêm o Know How da produção". No entanto, "poderia existir alguma redistribuição de receitas".

A suspensão das patentes da vacina para a covid-19 pode não ter efeitos relevantes nas contas das farmacêuticas que as desenvolveram e produzem, embora, eventualmente, possa levar a uma "redistribuição" das receitas dos laboratórios, defende Paulo Rosa, economista sénior do Banco Carregosa.

A suspensão das patentes pode não ter efeitos muito relevantes nas contas das empresas farmacêuticas. A Pfizer, quando divulgou os resultados do primeiro trimestre, indicou que a receita obtida com as vacinas foi de 3,5 mil milhões de dólares. Paulo Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, lembra que a "vacina da Pfizer/Bioentech é uma das mais bem-sucedidas, nomeadamente no mundo ocidental" mas que "a maior parte das receitas das farmacêuticas globais advém das vendas de medicamentos, porque estes são, em muito casos, utilizados mais frequentemente por doente crónicos".

Apesar dos valores já registados pela farmacêutica até março, o economista nota também que "empresas como a Pfizer que detém uma das vacinas mais bem-sucedidas do mercado poderiam incorrer em algumas perdas, no entanto não poderemos esquecer que estas empresas detêm o Know How [conhecimento] da produção"

Esta semana, os deputados europeus vão debater a iniciativa lançada pela Índia e África do Sul em outubro de 2020 na Organização Mundial do Comércio (OMC), que visa suspender as patentes das vacinas contra a covid-19. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, mostrou-se favorável a esta proposta no início do mês. E a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nessa altura apontou a e a Comissão reiterou em respostas por escrito, a União Europeia está na dianteira da entrega de vacinas ao resto do mundo. E que "a nossa prioridade é aumentar a produção para alcançar a vacinação global. Ao mesmo tempo, estamos abertos a debater qualquer outra solução eficaz e pragmática". Assim, disse, "estamos prontos para avaliar como é que a proposta dos EUA pode ajudar a alcançar este objetivo". O debate no Parlamento Europeu será nesta quarta-feira sendo que, está prevista a votação apenas para a próxima sessão plenária, entre 7 e 10 de junho.

Questionado sobre os eventuais efeitos de um levantamento de patentes ou até licenciamento, Paulo Rosa assume que "as farmacêuticas que atualmente detêm patentes de vacinas covid-19 poderão não incorrer em perdas relevantes, porque estas farmacêuticas detêm o Know How da produção. Todavia, poderia existir alguma redistribuição de receitas".

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

Mais Notícias

Outras Notícias GMG