Cliente 58 deve quase mil milhões ao Novo Banco. Mas não se sabe quem é

Banco de Portugal divulgou reporte sobre o Novo Banco, onde cada um dos devedores é identificado por um número.

O devedor que gerou mais perdas ao Novo Banco deve 904 milhões de euros em participações de capital. O nome do devedor não é conhecido, ao abrigo do sigilo bancário que protege todos os clientes, mas no relatório do Banco de Portugal (BdP) surge como sendo o cliente número 58.

Ainda de acordo com o reporte revelado pelo BdP, o maior devedor do Novo Banco continua a ser o denominado cliente 130 que, de acordo com o Jornal de Negócios, é o BES Angola, atingindo os 2,9 mil milhões de euros. Uma situação que se mantém desde 2014, aquando da resolução do Banco Espírito Santo.

Às perdas do cliente 58 no valor de 904 milhões de euros em participação de capital, segue-se uma perda de 244 milhões de euros gerada por um grande devedor (quando há operações que excedem os 43,3 milhões de euros), de acordo com um reporte feito ao Banco de Portugal (BdP) pelo Novo Banco (NB).

Do total de 3118 milhões de exposição a 31 de dezembro do ano passado, 1305 milhões dizem respeito a devedores de crédito e 1813 a participações em instrumentos de capital. O documento não identifica os devedores, embora o Governo já tenha enviado ao Parlamento os nomes dos visados, segundo avançou ontem o "Jornal Económico".

A disponibilização do reporte hoje vem na sequência do cumprimento da lei 15/2019, que obriga à divulgação de informação agregada e anonimizada sobre as grandes posições financeiras do Novo Banco, "na sequência do pagamento efetuado pelo Fundo de Resolução ao Novo Banco, no dia 6 de maio de 2020, ao abrigo e em cumprimento do disposto no Acordo de Capitalização Contingente, celebrado a 18 de outubro de 2017", pode ler-se no comunicado do Banco de Portugal.

Um grande devedor do Novo Banco é considerado quando há operações que excedem os 43,3 milhões de euros, e pode incluir "diferentes devedores desde que incluídos no mesmo grupo".

Na terça-feira de madrugada, o Ministério das Finanças disse, em comunicado, que o relatório de auditoria da Deloitte ao Novo Banco revela perdas líquidas de 4.042 milhões de euros no Novo Banco (entre 04 de agosto de 2014, um dia após a resolução do BES, e 31 de dezembro de 2018) e "descreve um conjunto de insuficiências e deficiências graves" no BES, até 2014, na concessão de crédito e investimento em ativos financeiros e imobiliários.

Como as perdas associadas a instrumentos de capital não entram nas contas, de acordo com a norma contabilística IFRS 9, o Banco de Portugal solicitou ao Novo Banco os valores resultantes desses instrumentos, que ascendem a 947 milhões de euros em perdas, de acordo com o reporte.

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