Travão a fundo na compra de carros: mercado caiu 57% num mês

Comércio automóvel recuou em março devido à pandemia. Abril será um mês ainda mais negativo, antecipa associação do setor.

O novo coronavírus travou a fundo o comércio automóvel em Portugal e as vendas de carros novos caíram 56,6% no último mês, tendo sido comprados 12 399 automóveis. A Tesla foi uma das três marcas que sobreviveram ao descalabro.

As vendas da marca norte-americana cresceram 53,2% em março: 544 carros vendidos e não só liderou a venda de automóveis elétricos como também foi a oitava marca mais vendida. O crescimento da marca de Elon Musk deve-se à estratégia de entregas. "Por causa dos seus acionistas, a Tesla concentra no último mês de cada trimestre as entregas de encomendas feitas nos dois meses anteriores. Em março, por exemplo, concentrou as encomendas de janeiro e fevereiro", explica ao DN/Dinheiro Vivo o presidente da UVE - Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos.

Embora com menor expressão nos números, Land Rover e Bentley sobreviveram ao último mês com mais vendas do que no mesmo mês do ano passado. A Land Rover cresceu 27,3% (42 unidades) e a Bentley vendeu três unidades, mais uma do que em 2019.

No mercado de ligeiros de passageiros venderam-se 10 596 unidades no último mês, menos 57,4% do que no mesmo mês de 2019. A Renault resistiu na primeira posição, com 1266 registos, apesar da quebra de vendas de 68%; a Mercedes foi a segunda marca preferida em março, com 1192 matrículas (-24,9%); a BMW ficou na terceira posição, com 857 unidades vendas e uma quebra de 36,9%.

Também neste mercado, os automóveis a gasolina voltam a liderar as vendas por combustível, representando uma quota de mercado de 40,5% em março. Os veículos a gasóleo tiveram um peso de 36,7%. Os veículos alternativos (elétricos, híbridos e GPL) valeram 22,8% deste mercado. No caso dos carros elétricos (9,3% de todo o mercado), depois da Tesla, a segunda marca mais vendida foi a Renault (102 unidades) e a Mini (59 unidades).

Cenário vai piorar

Praticamente todos os carros vendidos em março foram matriculados na primeira quinzena de março. "Desde que o país entrou em estado de emergência [18 de março], o comércio automóvel caiu 80%", alerta Helder Pedro, secretário-geral da ACAP.

Para o mês de abril antevê-se uma quebra "muito acentuada", considerando que "dezenas de empresas já pediram a adesão ao regime de lay-off". O regresso do programa de incentivo ao abate de veículos - "tal como aconteceu depois da crise de 2008" - é a principal proposta da ACAP ao governo.

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