"Trabalharei com qualquer secretário de Estado"

Presidente do Turismo de Portugal afirma que não teme a eventual chegada de um governo de esquerda

Já são conhecidos alguns indicadores de 2015: até setembro registou-se um crescimento de 9% nas dormidas e de 12% do RevPAR [valor da receita por quarto]. Tendo em conta estes indicadores, quais foram as prioridades definidas pelo Turismo de Portugal para 2015 que considera cumpridas?

O primeiro dos objetivos operacionais - mais relacionados com a procura turística - para este ano era garantir que há consistentemente uma relação saudável entre o crescimento da oferta e o da procura. E apraz-me dizer que, nos últimos dois anos, a relação entre a oferta e a procura - que tentamos gerir sem dirigismos e sem demasiada intervenção no terreno - está, mais ou menos, numa relação de 4% a 5% de diferença: a procura a crescer mais 4% ou 5% do que a oferta, em média. Isto tem permitido o aumento das taxas de ocupação e permitido o aumento dos preços das diárias.

Que é outro dos objetivos?

É uma segunda preocupação, mais ou menos na mesma linha, que é o de garantir que vamos qualificando cada vez mais o destino. Isto vê-se como? Pela relação entre o número de dormidas que geramos e as receitas geradas por essas dormidas [RevPAR]. E também aqui a relação está saudável: por cada 1% de crescimento que temos em número de turistas e dormidas, temos 1,5% de crescimento em receitas. Portanto, até agosto, a relação anda mais ou menos entre os 8% de crescimento de um lado, 12% do outro.

E a reduzida captação de turistas alemães, que foi tão citada durante as Jornadas Empreendedorismo no Turismo?

É um terceiro aspeto importante e outra das nossas prioridades. A Alemanha é o maior emissor turístico europeu e nós tínhamos nesse mercado uma quota que pouco ultrapassava os 0,8%. Em mercados onde somos igualmente conhecidos temos quotas sempre acima de 2%. Fizemos um trabalho de "sapa", que foi conhecer a fundo a estrutura de distribuição do mercado alemão, e adotámos uma estratégia de promoção online e no terreno que está a funcionar muito bem. E o resultado é que estamos a crescer: até agosto, 13% em número de alemães e mais de 25% em receitas de alemães.

Não tenho animosidades pessoais com ninguém, posso é ter divergências técnicas

A propósito, tem-se falado no aumento de turistas asiáticos. Há uma estratégia específica para a China e a Ásia?

Há. Vamos separar a China e a Ásia, que são realidades diferentes. Quanto à China, temos um problema operativo que é como é que se vende o destino Portugal e como é que se transportam as pessoas até cá. Relativamente à parte do trabalho fino e do transporte aéreo, o que se faz é desenhar pacotes onde Portugal e outros países estejam incluídos e colocar isso de uma forma comercial, à disposição do consumidor chinês. Mas há algumas pistas que me dão confiança de que será possível ter soluções diretas com a China, diferentes do que estávamos a pensar no início mas também mais cedo do que estávamos a pensar.

No ano passado foi feita a campanha com Cristiano Ronaldo para a China. Já há resultados?

Não arrancámos no ano passado, conforme queríamos. Arrancámos apenas em abril. Estamos a fazer agora seis meses e está previsto um balanço desses primeiros seis meses, antes de arrancarmos para os segundos. As indicações prévias que temos são ótimas, os resultados da China continuam a crescer a ritmos perto dos 50%.

Tem havido uma boa articulação entre o Turismo de Portugal e o governo, sobretudo com a Secretaria de Estado. Teme um eventual governo de esquerda?

A resposta curta é: trabalharei com qualquer secretário de Estado que consiga ter, em relação às matérias do turismo, uma perspetiva de conseguir separar aquilo que é político daquilo que é técnico. Não tenho animosidades pessoais com ninguém, posso é ter divergências técnicas quanto à forma como deve ser desempenhada a questão do turismo. Portanto, só perante o caso concreto, mas, à partida, não há temor nenhum.

Mas não teme uma inversão das prioridades definidas?

De per se, não. Aliás, acho que há pessoas com mais tentação de intervir na economia em qualquer dos lados do espectro político. O que espero é que tenha ficado adquirido para qualquer decisor que há uma linha entre as decisões políticas e as técnicas. E que boa parte do que aqui se faz é eminentemente técnico. E acho que essa mensagem começou a passar, que há vantagem em que determinadas políticas e orientações não se alterem pelo facto de ter havido uma alteração de cor política no governo.

Leia mais sobre as Jornadas Empreendedorismo no Turismo - Visitar o Futuro

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