TAP: Despedimento coletivo "é uma hipótese desde o início"

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, lembra que as negociações com trabalhadores permitiram reduzir as saídas de 2000 para 200.

O ministro das Infraestruturas reiterou esta segunda-feira (7 de junho) que o despedimento coletivo na TAP "é uma hipótese desde o início", salientando que as negociações com os trabalhadores já permitiram reduzir de 2000 para "cerca de 200" as saídas necessárias.

"[O despedimento coletivo] é uma hipótese desde o início, como é sabido", afirmou Pedro Nuno Santos à margem da apresentação do novo navio da CV Interilhas "Dona Tututa", em Setúbal, quando questionado sobre se este cenário estava em cima da mesa para aqueles que, entre os 206 trabalhadores da companhia aérea portuguesa contactados para negociarem uma rescisão amigável, não aceitarem uma saída voluntária.

Admitindo que "qualquer processo de reestruturação é, infelizmente, muito agressivo", motivando "uma reação de quem é atingido", o ministro das Infraestruturas e da Habitação salientou tratar-se da "realidade dura de um processo que tem como objetivo salvar a TAP".

"Nós estamos num processo muito complexo da vida da TAP, que precisa de passar por uma reestruturação muito séria [...], e esperemos que, ainda durante este mês, consigamos ter uma resposta afirmativa por parte de Bruxelas", recordou.

Pedro Nuno Santos lembrou que, "inicialmente, o que estava previsto era uma redução de 2000 trabalhadores", tendo em conta a necessária "poupança em termos de redução de custos da empresa", mas, "com todas as negociações feitas com os trabalhadores (seja em redução salarial, seja em saídas voluntárias ou reformas antecipadas), conseguiu-se reduzir o número para cerca de 200".

"Portanto, é preciso não nos esquecermos do ponto de partida, em que estava previsto saírem 2000, e o ponto de chegada, em que podem ter de sair cerca de 200", realçou.

Relativamente ao algoritmo que está a ser utilizado para identificar os trabalhadores a dispensar, Pedro Nuno Santos considerou que, "sem ignorar situações particulares, é um método que garante maior imparcialidade na gestão desse processo".

"Não é nenhum apostador que escolhe o trabalhador que sai, mas há um método relativamente objetivo e é, por isso, importante", sustentou.

Questionado sobre se, face à atual situação da Groundforce, a TAP poderá vender a participação que detém na empresa de 'handling' aeroportuário, o ministro disse que, "neste momento, essa questão não se coloca".

"Nós estamos conscientes de que no mercado da aviação, que é um mercado particularmente global, é muito difícil uma companhia aérea sobreviver e operar sozinha. Mas essa é uma questão que, neste momento, não se coloca, porque as companhias aéreas estão impedidas de adquirirem participações de outras companhias aéreas", disse.

"Não gosto de deixar ofensas ao Estado português sem resposta"

Por outro lado, o ministro justificou a reação às críticas da Ryanair sobre a ajuda estatal à TAP com o facto de não gostar de "deixar ofensas ao Estado português e ao Governo sem resposta".

"Eu não gosto de deixar ofensas ao Estado português e ao Governo sem resposta. Nem todos compreendem que um Estado e um Governo também têm de se dar ao respeito. Mas isso é a forma como nós cada um de nós encara a vida política", afirmou Pedro Nuno Santos.

No passado dia 26 de maio, durante uma reunião, por videoconferência, com o ministro das Infraestruturas, o presidente do grupo Ryanair, Michael O'Leary, lamentou que o Governo português esteja a "desperdiçar" o dinheiro dos contribuintes na TAP, defendendo que deveria ser aplicado em escolas, hospitais e outras infraestruturas, como o aeroporto do Montijo, em vez de numa "companhia aérea falhada e com preços elevados".

O ministério de Pedro Nuno Santos reagiu em comunicado, nesse mesmo dia, afirmando não aceitar "intromissões nem lições" da Ryanair. Garantindo que o investimento na TAP é "estruturante", lamentou que a companhia irlandesa esteja a aproveitar-se de uma "situação difícil" e vincou que a "Ryanair é uma empresa privada e que não tem de interferir nas decisões soberanas tomadas pelo Governo português".

Já esta segunda-feira, quando questionado pelos jornalistas sobre este tema, o ministro salientou que um país como Portugal "não se pode dar ao luxo de perder empresas que exportam 3.000 milhões de euros", como é o caso da TAP.

"Nós não somos a Suíça, nem a Noruega, para podermos, sem esforço, dar-nos ao luxo de perder empresas com esta dimensão. Nós somos um país com grandes dificuldades em matéria de balança de pagamentos, não podemos perder uma empresa que exporta 3.000 milhões de euros num ano normal. E é esse esforço estamos a fazer", sustentou.

Rejeitando que ao injetar capital na TAP o Governo esteja "a gastar dinheiro", Pedro Nuno Santos disse tratar-se, antes, de "um investimento numa empresa que é fundamental para a economia portuguesa e que liga Portugal ao mundo".

"A TAP é a primeira companhia aérea europeia - não é só portuguesa, europeia - a ligar a Europa ao Brasil e a mais de 10 países da África Ocidental. Este é um esforço que nós estamos a fazer conscientes de que aquilo que a TAP dá à economia nacional é muito mais do que aquilo que nós estamos a investir nela", defendeu.

Para o ministro das Infraestruturas e da Habitação, os portugueses deviam ter "mais orgulho" no seu país: "Não podemos aceitar ligeiramente que um empresário, mesmo que grande empresário, possa dizer o que quer sobre um Governo e esperar do mesmo Governo o silêncio. Isso não é um país dar-se ao respeito. Nós seremos mais respeitados no mundo se nos dermos ao respeito", considerou.

Relativamente às críticas internas, no seio do PS, quanto à forma como se dirigiu à Ryanair, Pedro Nuno Santos escusou-se a "alimentar essa discussão", afirmando apenas ser "incapaz de criticar em público um camarada".

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