Exclusivo Sofia Tenreiro: "É preciso uma lei laboral mais flexível e uma lei fiscal estável"

Sofia Tenreiro, investidora.

A 30 de janeiro haverá eleições. Qual seria para si o governo ideal para o país?
O governo ideal para Portugal será aquele que conseguir governar com maioria, focado não no próximo ciclo eleitoral, mas sim em construir um futuro sustentável para o país. É, por isso, necessário endereçar, com seriedade, os verdadeiros motivos que nos têm atrasado. Isso passa por repensar o sector público, aumentar a sua excelência e rigor bem como acelerar a transformação digital que permitirá a sua modernização e otimização. De igual forma, é fundamental criar as condições necessárias para que o sector privado se possa fortalecer, ajudando-o através de uma lei laboral mais flexível e uma lei fiscal estável que permita às empresas poderem prosperar e investir no seu futuro. Por outro lado, é fundamental alterar as mentalidades criando uma cultura de exigência, rigor e profissionalismo, reduzindo a aversão ao risco por forma a fomentar a competitividade do país.

De que forma poderá o país voltar a colocar a economia na rota de crescimento?
É necessário implementar uma estratégia que promova a competitividade da nossa economia. Para isso é urgente criar uma cultura empresarial, quer no sector privado como no público, de exigência, excelência e rigor. O sector privado necessita de se robustecer e de poder ser saudável de forma autónoma e independente. A reformulação de leis fiscais, laborais e do sistema judicial são também cruciais para garantir essa competitividade, essa robustez e a confiança necessárias para a manutenção dos investimentos. Portugal necessita de identificar áreas onde se pode assumir como uma alternativa competitiva e de qualidade a nível mundial. Já somos uma referência no ecossistema de inovação graças a um elevado número de unicórnios e à performance do nossos fundos de investimento. Necessitamos também de investir em áreas tecnológicas como a cibersegurança, a web 3.0, a AI. Para isso, além das reformulações acima referidas, é fundamental repensar a abordagem ao ensino, mais perto do sector empresarial e das necessidades que um mundo em constante mudança assim exige. Porém, não devemos apostar apenas em áreas tecnológicas, deveríamos motivar as pessoas fora do mercado de trabalho a repensarem as suas opções profissionais e a apostarem também em áreas onde existe uma carência enorme de talento como as relacionadas com a saúde, num mundo onde a longevidade é cada vez maior e acarreta necessidades crescentes em termos de serviços de saúde.

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