Segurança Social pagou até hoje 992 milhões em apoios

Segundo ministra Ana Mendes Godinho, estão em causa 1,3 milhões de trabalhadores e 149 mil ​​​​​​​empresas..

A Segurança Social processou até esta quarta-feira 992 milhões de euros em pagamentos de apoios extraordinários a empresas e trabalhadores, com 149 mil empresas e 1,3 milhões de trabalhadores abrangidos. Destes, 877 mil trabalhadores com salários reduzidos no âmbito do lay-off simplificado.

O balanço foi apresentado esta quarta-feira, no parlamento, pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, que assinalou que os trabalhadores abrangidos pelo regime de lay-off simplificado representam 25% dos trabalhadores no mercado privado de emprego.

Na avaliação do mecanismo, que foi estendido até julho, a ministra considerou que "teve uma capacidade, de facto, de reter postos de trabalho". Depois de junho ter somado mais 40 750 mil novos desempregados registados no continente (44 662 em maio), nos dados conhecidos até aqui, a ministra do Trabalho voltou a defender que os números estão a abrandar. "Temos em junho alguma desaceleração do desemprego, algum alisamento dos novos desempregados", defendeu.

Os deputados questionaram a avaliação da ministra e lembraram o crescimento elevado de desempregados que passaram à inatividade, também num mês em que que os dados do Ministério do Trabalho apontam uma quebra súbita no desemprego registado no final de junho. Num dia, mais de 21 mil desempregados desapareceram das estatísticas.

Ana Mendes Godinho disse não querer discutir números. "Independentemente dos números, a nossa grande preocupação é dar resposta", disse. No parlamento, a ministra defendeu também que a taxa de cobertura do subsídio de desemprego está a aumentar, ficando nos 55%. Excluindo os novos desempregados, rondará os 59% em junho. E indicou que o número de ofertas de emprego captadas pelo IEFP em junho terá subido até cerca de 10 mil, num crescimento de 49% relativamente a maio.

Incentivo contra despedimentos

Na audição parlamentar, Ana Mendes Godinho indicou que o incentivo extraordinário à retoma que irá garantir no pós-lay-off até dois salários mínimos por trabalhador contra a garantia de não haver despedimentos por dois meses ou até ao final do ano deverá entretanto ter regulamentação finalizada esta semana. "Ainda esta semana teremos a assinatura desta portaria", assegurou, depois de o diploma ter estado em consulta junto dos parceiros sociais.

O Complemento de Estabilização de entre 100 a 351 euros para trabalhadores que estiveram em lay-off (simplificado e tradicional) até junho, com rendimentos até 1270 euros, será entretanto pago no final do mês, lembrou a ministra, chegando a perto de 470 mil trabalhadores.

No que diz respeito a políticas ativas de emprego, para os próximos dias, o IEFP deverá lançar um aviso para a formação de desempregados e ativos desempregados nas áreas digital, tecnológica, ambiental e social. A formação, num envelope de 140 milhões de euros, deverá abranger 600 mil pessoas, indicou.

Já a medida de formação Ativar.pt, com reforço de verba inscrito no Programa de Estabilização Económica e Social "está em fase de implementação". Neste caso, está em causa um envelope de 180 milhões de euros. A ministra destacou a medida Impulso Jovem PME, para renovação dos quadros das pequenas e médias empresas, e as medidas direcionadas para o digital e para o mercado social de emprego.

Entretanto, 5040 desempregados inscritos no IEFP ou em lay-off terão sido colocados no reforço da capacidade das instituições sociais e de saúde no âmbito da medida extraordinária de reforço destes equipamentos, informou a ministra.

Sobre o reforço das respostas do IEFP que serão ainda necessárias para fazer face ao crescimento de desempregados, Ana Mendes Godinho considerou que será "fundamental" a resposta que o Conselho Europeu venha a dar, no final da próxima semana, ao pacote de apoios proposto pela Comissão Europeia para auxiliar os Estados-membros. Atualizado às 12h47 com a correção do número de empresas abrangidas pelo total de apoios concedidos pela Segurança Social: 149 mil e não 108 mil, como avançado inicialmente por Ana Mendes Godinho.

Jornalista do Dinheiro Vivo

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