Salários presidenciais: PR suíço no topo, Marcelo no fim da lista

Presidente suíço tem o melhor salário. Marcelo recebe quatro vezes menos. Joe Biden vai ganhar cerca de 370 mil dólares por ano.

Alguns têm os cargos mais poderosos do mundo e também os respetivos salários mais elevados em relação aos homólogos. Outros têm um papel que se resume a pouco mais do que a representação do país, mas nem por isso uma remuneração mais baixa.

Há, no entanto, uma relação: quanto mais rico é o país, em regra, mais generoso é o cheque a que o chefe de Estado tem direito.

A lista - que não é exaustiva - foi elaborada recorrendo a dados da consultora britânica de mercados financeiros IG, publicada no ano passado, com base em informação pública. Os valores apresentados são brutos e não incluem outras componentes, como ajudas de custo.

O presidente da Confederação Helvética (ou Suíça) é o que tem um salário mais elevado, dos dirigentes que selecionámos para esta lista. Excluímos os líderes de monarquias absolutistas e outras monarquias constitucionais como o Reino Unido, a Bélgica, a Dinamarca ou o Grão-Ducado do Luxemburgo, uma vez que os respetivos chefes de Estado têm direito a uma "subvenção real" e não um salário.

A exceção nas monarquias constitucionais é o rei de Espanha, Felipe VI, a quem é atribuído um vencimento, no sentido em que entendemos a remuneração pelo desempenho de determinado cargo.

Como referido, o presidente da Suíça surge no topo deste ranking. Guy Parmelin, que assumiu o cargo a 1 de janeiro, por apenas um ano (a presidência é rotativa pelo Conselho Federal), tem um vencimento anual próximo dos 422 mil euros.

Na segunda posição surge o presidente dos Estados Unidos, cargo que Joe Biden toma posse hoje sucedendo a Donald Trump. O presidente cessante doou o salário enquanto esteve no cargo, uma decisão que não é inédita. O primeiro chefe de Estado em exercício a fazê-lo foi Herbert Hoover, dando a totalidade do salário a causas caritativas. Também John F. Kennedy abdicou da remuneração enquanto presidente, mas manteve 50 mil dólares para "despesas de representação".

Mas também há o caso do rei Felipe VI, que optou por cortar o salário, determinando uma redução de 20% em comparação com o recebia o pai, Juan Carlos. Em 2015, quase um ano depois de ser proclamado rei, limitou o vencimento anual a pouco mais de 234 mil euros.

Nesta lista, o Presidente português surge no final, com um vencimento de 106 820 euros brutos anuais. Face ao homólogo suíço é um salário quatro vezes inferior.

Como compara?

Em regra, os salários dos presidentes estão muito acima dos vencimentos médios dos cidadãos e do PIB per capita. Para analisar esta dimensão, optámos pelo salário médio calculado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), por questões de comparabilidade entre os países selecionados.

O salário médio obtém-se dividindo a massa salarial total pelo número médio de trabalhadores na economia e apresentado em paridades de poder de compra em 2016.

Se entendermos como uma medida de desigualdade, Portugal até fica bem na fotografia. O salário médio é de 22% do vencimento do Presidente da República, melhor só na França. Do lado oposto está a Áustria, onde o salário médio é de 14% da remuneração do chefe de Estado.

A menor distância - o gap salarial - entre o vencimento do presidente e o do cidadão comum verifica-se na nórdica Finlândia, em que o salário médio é de quase um terço da remuneração do chefe de Estado.

Paulo Ribeiro Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

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