Salário mínimo em Genebra passa a 3.785 euros/mês. E no resto da Europa como é?

O novo salário mínimo em Genebra, o mais alto do mundo, contrasta com os da União Europeia, onde mesmo um país com alto custo de vida como o Luxemburgo o fixou em 2.141 euros por mês.

O salário mínimo de Genebra subirá para cerca 4.086 francos suíços, o equivalente a cerca de 3.785 euros por mês, o que significa que esta cidade suíça passa a ter o valor mais alto do mundo. A medida surge depois de ter sido estabelecido um novo mínimo de 23 francos suíços por hora de trabalho, cerca de 21 euros.

Considerando uma média de 41 horas semanais, o novo salário passará a cerca de 4.086 francos suíços, ou seja, cerca de 3.785 euros por mês, ficando muito acima dos 2.180 euros (12,1 euros por hora) praticados na Austrália, país que regista o segundo maior salário mínimo do mundo.

O novo salário mínimo em Genebra contrasta com os da União Europeia, onde mesmo um país com alto custo de vida como o Luxemburgo o fixou em 2.141 euros por mês.

Os valores na Irlanda, Países Baixos, Bélgica, Alemanha e França variam entre 1.706 euros e os 1.539, segundo dados do Eurostat. A Bulgária é o país com o salário mínimo mais baixo na Europa - cerca de 312 euros por mês. Na Roménoa o rendimento mínimo mensal é de 463 euros.

Em Portugal o salário mínimo - atualmente é de 635 euros - e é pago 14 vezes ao ano, ao contrário do que acontece na maioria dos países.

Dividindo o valor anual por 12, para permitir a comparação, Portugal tem um salário mínimo de 740 euros e 83 cêntimos.

Já a Espanha ultrapassa os 1.000 euros, com 1.108, um valor semelhante aos 1.122 euros praticados nos Estados Unidos.

Itália, Chipre, Áustria, bem como os europeus Finlândia, Suécia e Dinamarca, não têm salário mínimo nacional.

Consulte aqui os salários mínimos na Europa.

O novo salário mínimo de Genebra, uma das cidades mais caras do mundo, foi aprovado há uma semana, após um referendo local que partiu da iniciativa "23 francos é o mínimo". Esta iniciativa obteve o apoio de 58,16% dos eleitores, isto depois de em 2011 uma proposta semelhante ter sido recusada. Genebra torna-se assim o terceiro cantão suíço, de um total de 26, a aprovar este valor.

A Suíça é um país de forte tradição federal que não tem um salário mínimo nacional, medida rejeitada no referendo realizado em 2014. O governo suíço - que junta conservadores, socialistas, liberais e democratas-cristãos - tem-se manifestado contra a implementação de um salário mínimo comum a todo o país, defendendo que a flexibilidade trabalhista faz parte do sucesso do bom funcionamento económico do país.

Os partidos suíços de esquerda foram os principais promotores do referendo, argumentando que "qualquer salário inferior ao aprovado significa um passaporte para a precariedade".

Os mesmos partidos exemplificaram que em Genebra alugar um apartamento custa mais de 2.000 euros por mês ou comer num restaurante não custa menos de 40 euros.

Em sentido inverso, a direita nacional, que defende o fim da livre circulação de pessoas entre país da Europa Central e da União Europeia circundante, considera que a entrada de trabalhadores fronteiriços, que dobrou desde o início do século, está a provocar uma diminuição dos salários na Suíça.

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