Sair da lista verde é "devastador" e argumentos não convencem

Luís Pedro Martins, presidente da Turismo do Porto e Norte de Portugal, fala de "um balde de água fria". "É gravíssimo para o Algarve, com quem estamos solidários, menos grave para nós porque não é um mercado que faça parte do nosso top três", disse.

O presidente da Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) diz que a decisão do governo britânico de retirar Portugal da "lista verde" é "devastadora" e "injusta" e um "balde de água fria", com argumentos que "não convencem".

Em declarações à agência Lusa sobre o anúncio de que Portugal vai sair da "lista verde" de viagens internacionais no Governo britânico devido à descoberta de novas variantes e ao aumento do número de infeções nas últimas semanas, Luís Pedro Martins declarou que se trata de um notícia "devastadora" e com "argumentos que não convencem".

"É uma decisão lamentável do governo britânico e que nos provoca novamente um grande balde de água fria. Portugal, segundo todos os rácios, designadamente do ECDC [Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças], regista 65 casos [de covid-19], por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias. Só há três países assim na União Europeia", declara o presidente da TPNP.

Luís Pedro Martins não compreende a decisão e considera-a uma "injustiça", porque neste momento, o índice de contágio em Portugal "é igual ao do Reino Unido" e porque os britânicos já vão num "estado bastante avançado de vacinação da sua população".

"Não conseguimos compreender esta decisão. É gravíssimo para o Algarve, com quem estamos bastante solidários, menos grave para o Porto e Norte uma vez que não é um mercado que faça parte do nosso top três, mas não deixa de ser uma decisão que nos surpreende por uma injustiça", concluiu.

O ministro dos Transportes, Grant Shapps, disse numa entrevista transmitida na Sky News que foi uma "decisão difícil de tomar", invocando duas principais razões que estão a causar preocupação nas autoridades britânicas.

"Uma é que a taxa de positividade quase duplicou desde a última revisão em Portugal e a outra é que há uma espécie de mutação do Nepal da chamada variante indiana que foi detetada e simplesmente não sabemos o potencial que pode ter para resistir à vacina", explicou.

Shapps disse que o Governo quer garantir que o país não importa mais variantes que ponham em causa o plano de desconfinamento, nomeadamente a quarta etapa prevista para 21 de junho, quando se espera que sejam levantadas todas as restrições.

A medida deverá entrar em vigor a partir das 04:00 de terça-feira, quando Portugal passa para a lista "amarela", avança, por seu turno, o jornal Daily Telegraph.

Os países na "lista amarela" estão sujeitos a restrições mais apertadas, nomeadamente uma quarentena de 10 dias na chegada ao Reino Unido e dois testes PCR, no segundo e oitavo dia, como já acontece com a maioria dos países europeus, como Espanha, França e Grécia.

Portugal era até agora o único país da União Europeia (UE) na "lista verde", que isenta os viajantes de quarentena no regresso a território britânico, em vigor desde 17 de maio.

Cerca de 16 mil turistas e adeptos britânicos estiveram na cidade do Porto no último fim-de-semana para assistir à final da Liga dos Campeões, num jogo de futebol entre as equipas inglesas do Chelsea e do Manchester City, que decorreu no sábado passado, no Estádio do Dragão.

A taxa de ocupação hoteleira na cidade do Porto foi de 75% e, segundo números da Direção-Geral da Saúde (DGS), em "cinco mil testes feitos a adeptos apenas houve registo de "dois testes positivos" à covid-19, sendo um facto "animador".

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