Saída de 900 pessoas permitiu à TAP poupar 259 milhões

A TAP registou prejuízos de 1230 milhões de euros em 2020. No início de 2021, companhia tinha cerca de 500 milhões da Ajuda de Estado.

A fatura que a pandemia passou à TAP é já conhecida: prejuízos de mais de 1230 milhões de euros em 2020. Apesar de em janeiro e fevereiro os indicadores operacionais da companhia aérea serem positivos, a partir de março, quando os efeitos do novo coronavírus se começaram a sentir de forma mais expressiva na Europa, as contas da empresa passaram para o vermelho. E os prejuízos agravaram-se significativamente face a 2019, ano em que a transportadora teve prejuízos de perto de 96 milhões de euros.

Com o clima de forte incerteza gerado pela pandemia, no segundo trimestre, a TAP recorreu ao lay-off simplificado, o que terá ajudado a reduzir os custos com pessoal, e também levou a empresa a não renovar contratos a prazo. Os dados publicados no regulador do mercado de capitais (CMVM) indicam que a empresa fechou 2020 com um total de 8106 funcionários, menos 900 do que no ano anterior. Os custos com pessoal ascenderam a 419,7 milhões de euros, o que representa uma queda de cerca de 38% face a 2019, ou seja menos quase 259 milhões de euros.

Devido às fortes restrições na Europa e em grande parte do mundo, muitas aeronaves ficaram em terra durante semanas a fio. A falta de procura pode agora ser quantificada: a quebra no número de passageiros transportados supera os 72%, depois de quatro anos sempre a crescer. Se em 2019 a companhia transportou mais de 17 milhões de pessoas, no ano passado foi pouco além dos 4,6 milhões, o que representa uma queda de 12,3 milhões de. As receitas de passagens caíram assim 70,9% em 2020.

A forte quebra na procura teve ainda como consequência levar a transportadora a precisar de uma ajuda de Estado - no valor de 1200 milhões de euros, tendo-se comprometido a desenvolver e implementar um plano de reestruturação. Segundo os dados divulgados pela empresa, dos 1200 milhões de euros que entraram nos cofres da empresa até ao final de 2020, a companhia arrancou 2021 com menos de metade desse dinheiro.

"Forte posição de caixa e equivalentes de 518,8 milhões euros no final do [quarto] trimestre, pelo recebimento do remanescente do financiamento do Estado português no contexto de um auxílio de Estado no valor total de euros 1.200 milhões", pode ler-se no comunicado.

A 31 de dezembro de 2020, a TAP tinha menos nove aviões do que em 2019. A frota contava um total de 96 aeronaves, número que deverá continuar a diminuir, uma vez que o plano de reestruturação finalizado em dezembro prevê que a transportadora termine 2021 com 88 aviões. Contudo, e segundo os números que foram divulgados aquando do plano de reestruturação, em 2024 (último ano da reestruturação), a TAP contará entre 95 e 99 aeronaves, acompanhando a recuperação do mercado do transporte aéreo.

"No decurso de 2020, entraram em operação sete aviões de nova geração Airbus (2 A330neo, 2 A321neo LR, 2 A321neo e 1 A320neo) e saíram de operação 16 aviões (dez A319, três A320, 1 A321 e dois A332). As adições à frota operacional encontram-se por isso alinhadas com a aposta da empresa em aviões de menor dimensão, com custos por viagem menores, e que permitem à TAP adaptar a sua operação de acordo com o ritmo da recuperação da procura. Acrescenta-se ainda que no segundo semestre do ano, dois A332 foram convertidos em aviões de carga dado o aumento de procura neste segmento", dizia ainda o documento.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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