Reunião dos trabalhadores da PT com nova presidente "não adiantou muito"

"A engenheira Cláudia Goya não se comprometeu com nenhuma alteração relativamente à situação dos trabalhadores", afirmou o presidente da STPT

O Sindicato dos Trabalhadores da Portugal Telecom (STPT), que esteve esta quarta-feira reunido com a nova presidente da empresa, Cláudia Goya, considerou que o encontro "não adiantou muito" na resolução dos problemas, mas salientou a abertura para o diálogo.

"Em termos objetivos, [a reunião] não adiantou muito. A engenheira Cláudia Goya não se comprometeu com nenhuma alteração relativamente à situação dos trabalhadores transmitidos para outras empresas e não clarificou como vai recolocar os trabalhadores sem funções", disse à agência Lusa o presidente do STPT - uma das nove estruturas representativas presentes no encontro.

Ainda assim, Jorge Félix descreveu a nova presidente como "uma pessoa de consenso e diálogo", salientando a sua "abertura" para dar resposta a estes problemas.

"Há um compromisso sinalizado de reabertura do diálogo da negociação como forma de chegar a consensos possíveis", observou.

Contudo, de acordo com o dirigente sindical, a presidente "lançou a ideia de que a empresa -- que é virada para as novas tecnologias, para a área dos conteúdos, para a área do entretenimento e da publicidade -- tem de fazer reajustes".

"Essa situação obriga, eventualmente, a ter de fazer a redução de pessoas. [A presidente] não o disse assim, mas deixou em aberto esta perspetiva e falou na adaptação às novas tecnologias e a adaptação às novas tecnologias, em princípio, obriga à redução de pessoas", referiu.

Notando que quando a PT foi comprada pela francesa Altice, há dois anos, existiam 22 mil trabalhadores e agora existem nove mil, o responsável vincou que, para o sindicato "não há" necessidade de reduzir mais pessoal.

Jorge Félix reconheceu, por seu lado, que "a redução dos postos de trabalho foi feita de forma consensual, sem conflitualidade", pelo que, a ter de acontecer, esse será "o caminho".

Questionado pela Lusa se saiu desanimado do encontro, o sindicalista disse que "não era de esperar que houvesse grandes compromissos", dado que a nova presidente assumiu o cargo em julho passado.

"Nós entregámos, entretanto, um documento com uma série de reivindicações de sugestões para alterar a situação, [mas] não era de esperar grandes concretizações", reforçou.

Os representantes dos trabalhadores pretendem reverter a situação laboral na PT Portugal, sobretudo depois de terem sido conhecidos os resultados de várias ações inspetivas à empresa conduzidas pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

Em ações inspetivas realizadas na PT/Meo entre janeiro e julho deste ano, a ACT detetou várias infrações, tendo recolhido "evidências da existência de situações de assédio" aos trabalhadores, entre outras violações laborais.

Outra das contestações do sindicato centra-se na mudança de 155 funcionários para outras empresas -- Tnord, Sudtel, Winprovit e ainda Visabeira --, recorrendo à figura jurídica de transmissão de estabelecimento.

Nos últimos meses, a operadora tem sido alvo de protestos por motivos laborais.

Na quinta-feira, os nove sindicatos representativos dos funcionários da PT Portugal e a Comissão de Trabalhadores reúnem-se com os secretários de Estado do Emprego e das Infraestruturas, Miguel Cabrita e Guilherme W. d'Oliveira Martins, respetivamente, para exigir respostas a estas questões.

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