Reservas de petróleo vão pressionar preços nos próximos anos

Relatório da BP revela que, apesar do crescimento no consumo, este foi o aumento mais ténue dos últimos dez anos

O excesso de reservas de petróleo deverá manter a pressão nos preços nos próximos cinco anos, apesar de o mercado ter ajustado a produção aos níveis de procura.

É esta a visão da BP, que ontem revelou as suas previsões do mercado mundial energético (o BP Statistical Review of World Energy 2016), e partilhada pelos analistas contactados pelo DN/Dinheiro Vivo. O consumo global, apesar de ter aumentado 1% em 2015, cresceu ao ritmo mais lento dos últimos dez anos, numa altura em que o arrefecimento económico na China e o enfraquecimento da economia global resultam num abrandamento do consumo.

"Houve um excesso de produção de petróleo no mercado, mas para a segunda metade do ano estimamos um maior equilíbrio entre a oferta e a procura", diz ao DN/Dinheiro Vivo Spencer Dale, o economista-chefe da BP e responsável pelo estudo.

2015 foi um ano de "abundância", segundo o relatório, o que se refletiu nos preços do petróleo, uma tendência que continua a verificar-se neste ano. E o excesso de reservas resultantes do abrandamento do consumo vai manter a pressão nos preços. Se em 2014 o preço por barril rondava os 99 dólares, em 2015 desceu para cerca de 52.

"Para o mercado a cinco anos há três fatores a ter em atenção: o impacto do excesso de stock, a importância do petróleo de xisto nos Estados Unidos, porque não sabemos a que velocidade vai voltar com a subida dos preços e a redução do investimento das petrolíferas", enumera o responsável, frisando que "o investimento neste ano será 35% abaixo do de 2014".

Apesar de as economias emergentes continuarem a dominar o crescimento do consumo global de energia, a evolução deste indicador nesses países, em 2015 (de 1,6%), foi, novamente, muito abaixo da média dos últimos dez anos. Estas economias representam agora 58,1% do consumo de energia global, com destaque para a China, o que também justifica a redução.

O petróleo continua a ser líder mundial em termos de combustível e representa 32,9% do consumo global de energia, estando a ganhar quota pela primeira vez desde 1999. É também o petróleo que marca o segmento da produção. Segundo o estudo da BP, a produção global de petróleo aumentou 3,2%, o crescimento mais forte desde 2004, sobretudo devido aos níveis recorde registados no Iraque e na Arábia Saudita.

"A quebra no consumo mundial deriva em grande parte da queda da procura na China e na evolução de energias renováveis mais limpas", diz ao DN/Dinheiro Vivo Eduardo Silva, da XTB. O mesmo analista destaca que as previsões são de que "2017 seja novamente um ano de quebra, e se considerarmos os desenvolvimentos no Reino Unido, a situação ainda poderá piorar. Vamos continuar a assistir a preços baixos no petróleo".

Já Albino Oliveira, da Patris Investimentos, justifica a quebra no consumo com o facto de o "crescimento da economia global continuar a desapontar", além da utilização das energias renováveis. A OPEP, lembra, "continua a destacar que existem em termos da procura vinda da América Latina e da China" e ainda "os riscos que existem para 2016 em termos de a oferta ultrapassar a procura", acrescenta.

As energias renováveis continuam com um forte crescimento, diz Spencer Dale, registando um aumento de 15%. O relatório refere que as energias renováveis representaram cerca de 6,7% da geração de global de energia, um aumento de 2% relativamente à última década. Contudo, alerta o economista-chefe da BP, "apesar de ser expectável que o crescimento se mantenha nos próximos 20 anos, as renováveis só deverão cobrir menos de 10% das nossas necessidades em 2035".

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