Primeira bicicleta portuguesa para cargas está a nascer no Cartaxo

A Cargo-bike nacional terá configurações para duas e três rodas e assistência elétrica de até 2,5 kW. Primeiras unidades vão chegar ao mercado ainda no primeiro semestre.

A primeira bicicleta portuguesa para cargas está a nascer no Cartaxo. O jornalista Luís Costa Branco e o empresário Luís Rato estão a desenvolver este veículo para combater uma falha no mercado nacional. Este veículo vai servir, sobretudo, para as empresas de logística nas áreas urbanas mas também estará disponível para consumidores particulares. As primeiras unidades vão chegar ao mercado ainda neste semestre.

"Como particular ou empresa, se quiser comprar uma bicicleta deste género, não há oferta nacional. Queremos ocupar essa vaga, para que as pessoas não tenham de esperar pelo envio da bicicleta do estrangeiro e assim terem acesso ao produto de forma muito mais imediata", explica ao Dinheiro Vivo o co-fundador do projeto Luís Costa Branco.

A bicicleta tem o nome temporário de E-VM e pode assumir as configurações de duas e três rodas. O peso total por bicicleta será de cerca de 150 quilos, incluindo uma bateria de 2,5 kW, que tanto poderá permitir o transporte de pessoas como de volumes. O preço final ainda não está definido mas o objetivo é vender "por um preço ligeiramente abaixo dos Países Baixos e dos países nórdicos".

Na primeira fase, o projeto passa pela transformação das bicicletas. "Vamos comprar bicicletas normais e depois acrescentar as baterias e a caixa de carga. Falta ainda perceber que tipo de chassis vamos desenvolver para se ajustar aos diferentes tipos de utilizações", acrescenta o jornalista, apaixonado por bicicletas.

O projeto conta ainda com cerca de uma dezena de parceiros, desde as baterias ao desenho das bicicletas, passando pela produção da caixa colocada na cargo-bike.

Está ainda a ser desenvolvida uma aplicação móvel, para agregar vários veículos não poluentes na área da micro-logística, associados sobretudo às entregas.

Unidos pela paixão

O projeto reúne dois apaixonados pelas bicicletas, que já se conhecem há vários anos: é o meio de transporte para Luís Costa Branco deslocar-se para o trabalho; no caso de Luís Rato, associado atualmente ao negócio das food trucks, há um histórico ligado às bicicletas de competição.

Os dois fundadores começaram a desenvolver a bicicleta há dez meses e já investiram um total de 200 mil euros na ideia. A fábrica da Verso Move, no Cartaxo, é o epicentro dos trabalhos.

Convencer as empresas a comprar estes veículos é o principal desafio deste projeto, seguindo Luís Costa Branco. "Temos um caminho a fazer junto das empresas de logística e do retalho, para perceberem que há processos de entrega que podem ser melhorados e mais amigos do ambiente, indo ao encontro das metas de redução das emissões. É uma mudança comportamental.

Nos particulares também existe um mercado potencial, porque "há muita gente que não consegue transportar as compras sozinha; também pode proporcionar uma forma diferente de viver as cidades".

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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