Presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade: "nem toda a dívida é má"

Klaus Regling assinala, no entanto, que existe consenso em relação à dívida dos países europeus ser demasiado elevada

O presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling, afirmou que "nem toda a dívida (pública) é má", considerando, no entanto, que, "no geral, há um consenso de que neste momento a dívida é demasiado elevada".

Numa entrevista publicada esta segunda-feira no Korea Herald, o presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling, disse que "nem toda a dívida é má", na medida em que "os países podem usar alguma dívida para financiar investimento produtivo, infraestruturas e educação".

O responsável deu depois alguns exemplos para argumentar que a sustentabilidade das dívidas dos vários países depende, não só do rácio face ao PIB, mas também dos custos de financiamento associados.

"A Coreia por exemplo tem uma dívida baixa, de menos de 40% do PIB (Produto Interno Bruto), o que pode ser considerado um nível bastante saudável pela maioria dos economistas. Mas não há acordo sobre se a dívida é sustentável nos 60, 90 ou 150% (do PIB). Depende das taxas de juro que financiem essa dívida", explicou.

Sublinhando que "o Japão tem o nível de dívida mais elevado dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), nos 250% do PIB", Klaus Regling afirmou que "os economistas não estão particularmente preocupados" porque o país tem taxas de 0,5%, ao passo que, a Argentina "entrou em incumprimento em 2011 com uma dívida de 50%, mas com taxas de juro muito elevadas".

O presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade recordou que as dívidas públicas na Europa "aumentaram em média 40 pontos percentuais, de cerca de 60 para 100% do PIB", concluindo que, "no geral, há um consenso de que neste momento a dívida é demasiado elevada".

Em relação ao caso grego, Klaus Regling considerou que a dívida pública, de cerca de 180% do PIB, é "relativamente alta" e disse que "metade desta dívida é financiada" pela instituição que dirige a uma taxa "muito baixa", entre 0,5 e 1%, "o que é um custo suportável comparando com as taxas do mercado", esperando que "isto dê tempo (ao país) para superar os seus problemas".

Questionado sobre qual é a situação quanto ao alívio da dívida da Grécia, Klaus Regling respondeu que "a Grécia tem sido o caso mais difícil", uma vez que o problema económico do país decorreu de "uma combinação de fatores".

"O país teve o desalinhamento mais severo de entre os cinco (além de Portugal, Irlanda, Espanha e Chipre), os maiores défices orçamentais e comercial e outros problemas estruturais, e precisou de fazer o ajustamento mais difícil. A sua administração pública fraca também falhou na capacidade de implementação", resumiu Regling.

No entanto, acrescentou que "desde agosto último" foi restabelecido "o modo cooperativo" e mostrou-se confiante no futuro: "Se a Grécia mantiver a agenda de reformas, estou confiante de que o país vai sair com sucesso do programa em cerca de dois anos", afirmou.

Klaus Regling esteve em Seul, a capital da Coreia do Sul, onde participou na conferência sobre estabilidade financeira global, no âmbito das reuniões do G20, que são organizadas pela China este ano.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG