Presidente do BPI admite "intranquilidade" com impasse entre acionistas

Assembleia geral do banco voltou a ser suspensa esta quarta-feira

O presidente do Banco BPI, Artur Santos Silva, disse hoje que é com "intranquilidade" que é vivido o impasse que atualmente existe no banco e que é fundamental para o futuro que o assunto se resolva rapidamente.

"Todos sentimos uma grande intranquilidade por este assunto, que é fundamental para o futuro do banco, não estar resolvido. Compreendo que acionistas, e não só o CaixaBank, sintam intranquilidade por não estar decidido", afirmou hoje o fundador e 'chairman' do banco na conferência de imprensa que se seguiu à assembleia-geral do banco que hoje decorreu no Porto e que demorou menos de uma hora, tendo sido suspensa até 21 de setembro.

Santos Silva respondia assim à questão dos jornalistas sobre a notícia de segunda-feira do jornal digital espanhol "El Confidencial", que referia que o presidente da CriteriaCaixa, acionista maioritário do CaixaBank, Isidro Fainé, "pondera muito seriamente retirar a proposta de compra, face ao novo obstáculo judicial surgido para controlar o terceiro banco luso".

O fundador do banco disse ainda que, sobre esse assunto, só viu uma notícia e não qualquer informação oficial do banco catalão e garantiu que, apesar do que se passa, "o banco continua bem e o funcionamento continua a correr normalmente".

A assembleia-geral do BPI de hoje arrancou cerca das 10:00 (hora de Lisboa) na Fundação de Serralves, no Porto, e terminou ainda antes das 11:00, sendo que daria continuidade à anterior reunião de 22 de julho, que havia já sido suspensa por 45 dias.

A suspensão de hoje aconteceu por proposta do espanhol CaixaBank, o maior acionista do BPI, com 45% do capital social, uma vez que ainda não existe uma decisão da Justiça quanto à providência cautelar apresentada em junho pelo acionista Violas Ferreira Financial - o maior acionista português do BPI - que impede que seja votava a proposta de alteração de estatutos apresentada pelo Conselho de Administração do banco.

Atualmente, cada acionista do BPI só pode votar no máximo com 20%, independentemente da participação que detenha.

Isto faz com que apesar de os espanhóis do Caixabank terem 45% do banco estejam, na prática, em situação de paridade com a angolana Santoro, que tem 18,6%, uma participação que se associa aos 2,28% do Banco BIC, uma vez que ambas as empresas têm Isabel dos Santos como acionista de referência.

Artur Santos Silva adiantou hoje que o pedido de suspensão da reunião magna, proposto pelo CaixaBank, foi aprovado com 91% dos votos, com 8,9% contra, o que considera que "revela a vontade maciça dos acionistas para que este assuntos se resolva logo que haja decisão judicial".

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