Preços das comunicações subiram, diz Anacom. Apritel diz que Portugal lidera descida na internet fixa

Regulador e operadores têm leituras diferentes para a evolução dos preços das telecomunicações em Portugal. Para o último mês de 2021, Anacom aponta subida de 0,6%. Apritel nota que Portugal liderou, na Europa, na descida do preço da internet.

Os preços das telecomunicações são o tema mais sensível do setor, com o regulador e as telecoms a nunca chegarem a um consenso na leitura dos dados. Esta segunda-feira, a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) fez saber que os preços aumentaram em cadeia 0,6% em dezembro, devido ao ao fim das promoções da Black Friday e cresceram 1,1% em termos homólogos. Já a Apritel, refere que "Portugal lidera descida dos preços de banda larga fixa na Europa", citando dados de dezembro do Eurostat.

De acordo com a Anacom, a "a taxa de variação média dos preços das telecomunicações nos últimos doze meses foi de 0,5%", com o regulador a garantir que, desde janeiro, os preços cresceram 1,2% "devido ao crescimento das mensalidades das ofertas em pacote".

Comparando Portugal com os países da União Europeia, a Anacom indica que, "em média, os preços das telecomunicações na UE aumentaram 0,6%". Foi a Eslováquia (+7,4%) a registar o maior aumento e a Bulgária (-3,2%) registou a maior descida.

Em termos acumulados, "entre o final de 2009 e dezembro de 2021, os preços das telecomunicações em Portugal aumentaram 7,7%, enquanto na UE diminuíram 9,8%", sendo que "a diferença estreitou-se com a entrada em vigor, no dia 15 de maio de 2019, das novas regras europeias que regulam os preços das comunicações intra-UE", segundo a Anacom.

A Anacom aponta que "uma análise comparativa mais fina permite constatar que, entre o final de 2009 e dezembro de 2021, os preços das telecomunicações diminuíram 17% na Bulgária, enquanto na Hungria, em Portugal e na Roménia aumentaram 1,6%, 7,7% e 19,1%, respetivamente".

O regulador acrescenta que no mercado português "as mensalidades mínimas são oferecidas pela Nowo em oito casos de um leque de 13 serviços/ofertas, enquanto a Meo [Altice Portugal], a Vodafone e a NOS, apresentaram as mensalidades mais baixas para três, dois e um tipo de serviços/ofertas, respetivamente".

Em termos homólogos, "verificaram-se 23 aumentos de preços e três diminuições", destaca a Anacom.

De acordo com a Anacom, a Meo "aumentou a mensalidade de sete serviços/ofertas", enquanto a NOS subiu "as mensalidades mínimas de cinco serviços/ofertas e diminuiu a mensalidade de uma oferta (serviço telefónico móvel com Internet no telemóvel - oferta mundo)". Já a Vodafone "aumentou as mensalidades mínimas de três serviços/ofertas e diminuiu a mensalidade de uma oferta, nomeadamente da oferta de BLM [banda larga móvel] de Internet através de PC/tablet", enquanto a Nowo "aumentou as mensalidades mínimas de oito serviços/ofertas e diminuiu a mensalidade de um serviço/oferta (oferta da primeira mensalidade do serviço base de BLF [banda larga fixa] 'single-play').

Apritel discorda da Anacom

Os dados da Anacom foram divulgados horas depois da Apritel ter adiantado que Portugal registou uma descida nos preços. Para a associação, liderada por Pedro Mota Soares, "os dados mais recentes do Eurostat, referentes a dezembro de 2021, demonstram mais uma vez a forte dinâmica competitiva do mercado português de comunicações eletrónicas".

Quer isto dizer, segundo a Apritel, que "lidera na descida de preços dos serviços de Internet fixa" e que, face ao período homólogo, houve uma "diminuição de preços" para os serviços de internet fixa na ordem dos 11,4%. Isto, quando a União Europeia notou um "aumento de 1,4%" nos preços de internet fixa.

A associação recorda que "tem vindo a alertar" que "os comparativos de evolução de preços suportados no IHCP do Eurostat não podem ser utilizados para comparar níveis de preços entre países, apenas a evolução dos mesmos, e com as devidas precauções".

José Varela Rodrigues é jornalista do Dinheiro Vivo

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