Portugal quer manter-se pioneiro na mobilidade elétrica

Secretário de Estado José Mendes garante que os portugueses vão continuar a informar, ao criarem modelo de cartão único para pagar o carregamento dos carros elétricos

"A Noruega não é exemplo" para Portugal no que toca à implementação de um modelo de mobilidade elétrica, dado ser um país que "consegue fazer transformações sentado em cima" de potes de dinheiro, argumentou ontem o secretário de Estado adjunto e do Ambiente.

José Mendes intervinha no encerramento da conferência Rumo às Zero Emissões em 2030, organizada pela empresa LeasePlan Portugal (comércio e aluguer de automóveis) e destinada a sensibilizar as operadoras de frotas automóveis para a importância dos veículos elétricos e híbridos, lembrou ainda outros países - como Espanha e França - em que os modelos implementados obrigam os utilizadores de carros elétricos ou híbridos a usar múltiplos cartões de outros tantos operadores.

Nesse sentido, o "modelo agnóstico" que Portugal está a construir "é inovador" porque permite aos utentes desses automóveis - como sucede com os utilizadores de cartões multibanco - utilizar apenas um cartão independentemente dos operadores do sistema (nomeadamente dos fornecedores de energia), sublinhou José Mendes.

O governante, lembrando o empenho do Estado nessa matéria ao adquirir carros elétricos e apoiar a renovação das frotas automóveis de empresas públicas, relativizou os pedidos de mais apoios públicos feitos pelos agentes do setor que intervieram antes, ao lembrar que "os incentivos são temporários por definição" - feitos com dinheiros públicos - e que esse é um negócio onde, a prazo, os lucros serão para o setor privado.

"Tornar permanentes" os incentivos "é contra o conceito" desses apoios estatais, insistiu José Mendes, lembrando que este governo privilegia o transporte público e está a cumprir a promessa feita, logo no início do seu mandato, de dar incentivos à mobilidade elétrica durante três anos. Acresce que a generalidade dos países, quando o mercado dos veículos elétricos ganhar dimensão crítica (à custa dos carros a gasolina e gasóleo), mudará a sua abordagem porque "nenhum Estado" tem condições para abdicar de "6% a 7% das receitas" que recebe daí.

A terminar, José Mendes deixou uma garantia: as previsões que se fazem sobre o futuro da mobilidade elétrica "vão falhar todas", porque "não há modelos estatísticos" que permitam estudar "alterações disruptivas" como essa vai ter na vida dos cidadãos e das cidades.

Carros elétricos mais baratos

O custo total de utilização dos veículos elétricos "já é mais barato" do que os automóveis de combustão, a gasolina ou diesel, afirmou André Freire. Este consultor da LeasePlan Portugal destacava a importância desse fator para as empresas com frotas automóveis tradicionais, pois poluem três vezes mais do que os carros pessoais e quando já existem "soluções alternativas importantes no horizonte" para o setor.

Exemplo das vantagens de optar por veículos elétricos em larga escala, apresentado durante a conferência, foi o da Câmara Municipal do Porto. Segundo o vereador Nelson Pinto, um terço das viaturas do município - 116 em 390 - ainda são a combustão porque "faltam modelos para cobrir todas as necessidades" da frota camarária.

Já com 70% de carros elétricos e híbridos plug-in, Nelson Pinto referiu que a poupança da autarquia em combustíveis ronda os 600 mil euros anuais. Associado a isso estão a redução do ruído, ausência de emissões de dióxido de carbono e o conforto de utilização, sem esquecer o contributo para o equilíbrio da balança comercial do país (dada a menor importação de petróleo).

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