Santos Silva espera que Reino Unido "corrija uma decisão errada rapidamente".

O ministro Augusto Santos Silva classificou a decisão de "errada", um "absurdo", que causa "muito desapontamento". Governo britânico publicou esta sexta-feira a lista de 59 países e territórios excluídos da quarentena obrigatória de 14 dias.

Portugal continental está fora do corredor turístico do Reino Unido, mas os Açores e a Madeira estão na lista de 59 países publicada esta sexta-feira pelo governo de Boris Johnson. Os britânicos poderão voar sem necessidade de ficarem 14 dias em quarentena no regresso a casa, desde que o façam para um dos territórios da lista. Espanha, Itália, França e Alemanha estão livres das restrições a partir do dia 4 de julho (sábado).

O ministro Augusto Santos Silva classificou a decisão de "errada", um "absurdo", que causa "muito desapontamento", além de graves consequências económicas e de confiança recíproca. Em declarações à agência Lusa, Santos Silva garantiu que as autoridades portuguesas não irão tomar qualquer atitude de reciprocidade em relação aos britânicos que residem em Portugal (mais de 35 mi), disse, e que espera que o Reino Unido "corrija uma decisão errada rapidamente".

Na prática, quem quiser passar férias em Portugal pode, mas será depois obrigado a ficar 14 dias em quarentena no regresso ao Reino Unido.

A lista foi elaborada pelo Centro de Biosegurança Comum [Joint Biosecurity Center], em conjunto com a direção geral de saúde de Inglaterra, com base na "avaliação de risco" e teve em conta o número de novos casos e a trajetória potencial da doença. A decisão de excluir Portugal Continnetal não será alheia aos novos surtos na região da Área Metropolitana de Lisboa, onde há 19 freguesias em estado de alerta e com o dever cívico do recolhimento.

O ministro Augusto Santos Silva classificou a decisão de "errada", um "absurdo", que causa "muito desapontamento", além de graves consequências económicas e de confiança recíproca

"Devido à incidência relativamente elevada de casos de covid-19, principalmente na região da grande Lisboa, o governo britânico decidiu continuar a desaconselhar todas as viagens que não sejam essenciais para Portugal continental. Em reconhecimento das taxas de infeção muito mais baixas nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, bem como o facto dessas ilhas serem acessíveis através de voos diretos do Reino Unido e terem controlos efetivos de entrada relacionados com a covid-19, deixámos de desaconselhar as viagens não essenciais para essas regiões", defendeu a embaixada britânica em Lisboa, esperando que "a taxa de infeção em Portugal diminua rapidamente e que seja possível levantar as restantes restrições no futuro próximo".

Apesar disso, como escreve a BBC, Portugal "teve menos casos de coronavírus do que alguns destinos de férias europeus que constam da lista, além de estar aberto a receber cidadãos do Reino Unido sem quarentena". Também a Suécia que apostou na imunidade de grupo e sem recorrer ao confinamento foi vetada. Assim como os EUA, o Brasil e a China, onde começou o surto em dezembro de 2019.

Espanha, Itália, França e Alemanha, os quatro países europeus mais fustigados pela pandemia, além do Reino Unido, estão no grupo de países que as autoridades britânicas consideraram representar um risco reduzido para a saúde pública. "Esta lista poderá ser aumentada nos próximos dias, após discussões adicionais entre o Reino Unido e parceiros internacionais", referiu o ministro dos Transportes, Grant Shapps, num comunicado,, onde explicou a medida: "Hoje representa o próximo passo na reabertura cuidadosa de nossa grande nação. Seja um turista pronto para viajar para o estrangeiro ou uma empresa ansiosa por abrir as suas portas novamente, estas são boas notícias para o povo britânico e ótimas notícias para empresas britânicas."

O fim da quarentena para quem entra no Reino Unido vindo dos países incluídos no corredor aéreo entra em vigor no dia 4 de julho. Companhias aéreas como a British Airways, easyJet e Ryanair recorreram aos tribunais para contestar as limitações impostas pelo executivo de Boris Johnson à mobilidade aérea.

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