"Podemos querer mais, mas não podemos negar o esforço já feito", diz Centeno

Mário Centeno destacou os resultados alcançados na redução do défice orçamental, no crescimento económico e na recuperação de emprego

O ministro das Finanças admitiu esta terça-feira que é "possível querer mais" investimento nos serviços públicos, mas que não é possível "negar o esforço" que foi feito, sublinhando que pela primeira vez numa legislatura o Governo manteve as metas.

Numa intervenção no parlamento sobre o Programa de Estabilidade (PE), Mário Centeno destacou os resultados alcançados na redução do défice orçamental, no crescimento económico e na recuperação de emprego e enumerou o aumento de trabalhadores no Serviço Nacional de Saúde (SNS), na saúde e na cultura.

"Podemos querer mais, mas não podemos negar o esforço feito", afirmou o ministro no parlamento, que debate esta terça-feira também recomendações sobre o documento.

"O desempenho económico e orçamental de Portugal em 2017 permitiu que hoje possamos dizer que estamos melhor. Temos menos défice, mas ainda temos défice"

Recorde-se que os parceiros parlamentares apresentaram recomendações sobre o Programa de Estabilidade, com o Bloco de Esquerda (BE) a discordar da revisão das metas do défice para este ano e a defender o reforço do investimento nos serviços públicos, designadamente no SNS e na escola pública e o PCP a exigir o "direito soberano do Estado português a decidir do seu futuro", assumindo a necessidade de mobilizar os recursos necessários ao aumento dos salários e pensões e à melhoria dos serviços públicos.

"O desempenho económico e orçamental de Portugal em 2017 permitiu que hoje possamos dizer que estamos melhor. Temos menos défice, mas ainda temos défice", observou Mário Centeno.

O governante recordou que há um ano, quando apresentou o Programa de Estabilidade 2017-2021, as Finanças projetavam uma melhoria do saldo orçamental de aproximadamente 960 milhões de euros entre 2017 e 2018.

"Com o desempenho orçamental de 2017 esta meta pôde ser revista. Hoje o Programa de Estabilidade prevê uma melhoria do saldo de apenas 370 milhões de euros. Temos hoje uma menor redução do défice do que a que projetávamos há um ano", sublinhou.

O ministro garantiu que isto é possível "sem colocar em causa nenhum dos compromissos assumidos no Orçamento do Estado para 2018, nem o esforço estrutural de consolidação das contas públicas", salvaguardando que "todas as despesas previstas continuam no orçamento".

Recordando que, há três anos, o PS apresentou um plano orçamental que oferecia uma "alternativa política" para o país, Mário Centeno concluiu que hoje é possível verificar que "os objetivos foram atingidos", sobretudo no investimento, no aumento do rendimento e na consolidação das contas públicas.

"os desafios do país devem ser superados, construindo as condições para que, no futuro, possamos utilizar todos os instrumentos orçamentais disponíveis"

"Pela primeira vez numa legislatura, três anos após o seu início, um Governo mantém o seu compromisso com os portugueses. Nunca revimos os nossos objetivos. Este capital de credibilidade é do Governo e é de quem apoia o Governo", disse.

Para o futuro, defendeu o ministro, o Programa de Estabilidade "propõe uma trajetória de crescimento inclusivo, com responsabilidade e diálogo na tomada de decisões, mas, acima de tudo, com estabilidade e responsabilidade".

Isto porque, insistiu Mário Centeno, "os desafios do país devem ser superados, construindo as condições para que, no futuro, possamos utilizar todos os instrumentos orçamentais disponíveis".

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