PIB português sofre quinta maior queda entre os países da OCDE

No segundo trimestre, o Reino Unido registou o pior desempenho da organização. A China foi a exceção, registando um crescimento de 11,5%.

A economia portuguesa registou, no segundo trimestre deste ano, o quinto pior desempenho entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira.

A OCDE ainda está a trabalhar com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no dia 31 de julho. Nessa data, o INE apontava para uma contração em cadeia de 14,1%, um valor que foi revisto duas semanas depois, para 13,9%, ou seja, foram retiradas duas décimas à primeira estimativa rápida.

Mas seja qual for o valor utilizado, Portugal não descola do quinto lugar a contar do fim entre as 28 economias para as quais existem dados para o segundo trimestre, comparando com os três meses anteriores (entre janeiro e março).

Já quando foram divulgadas as estimativas preliminares pelo Eurostat, Portugal surgiu como a terceira economia europeia mais castigada pela crise no segundo trimestre, apenas atrás da Espanha e da Hungria. Tal como o DN/Dinheiro Vivo noticiou, Portugal voltou a divergir da União Europeia.

Com pior desempenho na lista da OCDE só mesmo o Reino Unido, a Espanha, o México e a Hungria. Mas colada a Portugal está a França, com uma contração de 13,8%.

Nos países considerados com dados disponíveis, a China foi o único a apresentar uma evolução positiva do produto interno bruto (PIB), registando um crescimento em cadeia de 11,5%.

Uma queda sem precedentes

Os dados estatísticos divulgados nesta quarta-feira mostram uma queda "sem precedentes" no conjunto dos países membros da OCDE.

No segundo trimestre deste ano, o produto interno bruto na OCDE teve uma contração de 9,8% face aos primeiros três meses.

"Após a introdução de medidas de contenção da covid-19 em todo o mundo desde março de 2020, o produto interno bruto real na área da OCDE apresentou uma queda sem precedentes, de 9,8%, no segundo trimestre de 2020, segundo estimativas provisórias", indica a organização de 38 Estados membros.

Ainda falta apurar os valores para alguns países da OCDE, como, por exemplo, Irlanda, Austrália ou Grécia, mas a deterioração da atividade económica é visível.

No conjunto das sete maiores economias mundiais, o Reino Unido foi o que sofreu o maior embate, com uma queda "dramática" de 20,4%, sublinha a OCDE. "Em França, onde as medidas de confinamento estavam entre as mais rigorosas, o PIB recuou 13,8%, após uma queda de 5,9% no trimestre anterior", indica a organização sediada em Paris.

"O PIB também caiu acentuadamente em Itália, no Canadá e na Alemanha no segundo trimestre, com valores de -12,4%, -12% e -9,7%, respetivamente, face a -5,4%, -2,1% e -2% no trimestre anterior", aponta a OCDE. Nos Estados Unidos, a economia contraiu "ligeiramente menos" (-9,5%), em comparação com -1,3% no trimestre anterior.

"No Japão, onde as medidas de contenção foram menos rigorosas, o PIB encolheu 7,8% no segundo trimestre de 2020, contra -0,6% no trimestre anterior", refere a instituição. Na zona euro e na União Europeia, o PIB recuou 12,1% e 11,7%, respetivamente, face às quebras de 3,6% e 3,2% no trimestre anterior.

Comparando com o mesmo período do ano passado, a economia da área da OCDE encolheu 10,9% no segundo trimestre de 2020, após um crescimento de menos 0,9% no trimestre anterior. Entre as sete maiores economias, os Estados Unidos registaram uma queda anual de -9,5%, enquanto o Reino Unido teve a contração mais acentuada (-21,7%).

Paulo Ribeiro Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

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