PIB português com quebra histórica de 16,5% no 2º trimestre

O 2º trimestre corresponde ao período do estado de emergência, quando as medidas de confinamento para evitar a propagação da covid-19 foram mais rígidas

O produto interno bruto nacional registou uma contração, em cadeia, de 14,1% no segundo trimestre, anunciou, nesta sexta-feira, o Instituto Nacional de Estatística na chamada "estimativa rápida" das contas nacionais. Em termos homólogos, a quebra é de 16,5%.

"Refletindo o impacto económico da pandemia, o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma forte contração em termos reais no 2º trimestre de 2020, tendo diminuído 16,5% em termos homólogos, após a redução de 2,3% no trimestre anterior. Este resultado é explicado em larga medida pelo contributo negativo da procura interna para a variação homóloga do PIB, que foi consideravelmente mais negativo que o observado no trimestre anterior, refletindo a expressiva contração do consumo privado e do investimento", destaca o INE.

O instituto acrescenta: "O contributo negativo da procura externa líquida também se acentuou no 2º trimestre, traduzindo a diminuição mais significativa das Exportações de Bens e Serviços que a observada nas Importações de Bens e Serviços devido em grande medida à quase interrupção do turismo de não residentes".

Comparativamente com o primeiro trimestre, o PIB diminuiu 14,1% em termos reais. "Este resultado é também explicado, em larga medida, pelo contributo negativo da procura interna para a variação em cadeia do PIB, verificando-se também um maior contributo negativo da procura externa líquida", salienta o INE.

Os dados do INE vêm confirmar as previsões de verão da Comissão Europeia, que apontavam para uma contração em cadeia da economia nacional de 14,1% no segundo trimestre, contra a queda de 13,6% da zona euro.

Recorde-se que são já conhecidos os dados do produto interno bruto de várias economias europeias e dos EUA. O PIB alemão contraiu 10,1% no segundo trimestre, a queda mais acentuada desde que há registo, enquanto França registou uma queda histórica de 13,8%, mesmo assim menos negativa do que os 17% que eram esperados pelos analistas e pelo próprio Instituto Nacional de Estatística francês.

Já os efeitos do coronavírus na economia espanhola foram mais negativos do que o esperado, com produto interno bruto em Espanha a cair 18,5% no segundo trimestre, a maior queda de sempre. Dos Estados Unidos as notícias também não foram animadoras, o PIB caiu 32,9% a um ritmo anual, e 9,5% na variação em cadeia, ou seja, versus o trimestre anterior que, no caso americano, fora já negativo, com um recuo de 5%.

Em Portugal, a contração em cadeia do PIB no primeiro trimestre foi de 3,8% (menos 2,3% face ao período homólogo). Recorde-se que Bruxelas estima uma quebra de 9,8% do PIB nacional em 2020, bem acima das previsões do Governo que se ficam pelos 6,9%.

A nível global, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia mundial poderá cair 4,9% este ano, arrastada por uma contração de 8% nos Estados Unidos, de 10,2% na zona euro e de 5,8% no Japão.

Ilídia Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo, a sua marca de economia.

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