PIB cai 2,4% no 1.º trimestre em termos homólogos e 3,9% em cadeia

A contração da atividade económica reflete "o impacto da pandemia covid-19 que já se fez sentir significativamente no último mês do trimestre", reconhece o INE

O Produto Interno Bruto (PIB) português caiu 2,4% no primeiro trimestre do ano face ao mesmo período de 2019, devido aos efeitos económicos da pandemia de covid-19, divulgou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

"O Produto Interno Bruto (PIB), em termos homólogos, diminuiu 2,4% em volume no 1.º trimestre de 2020, após o aumento de 2,2% no trimestre anterior. A contração da atividade económica reflete o impacto da pandemia covid-19 que já se fez sentir significativamente no último mês do trimestre", pode ler-se numa estimativa rápida hoje divulgada pelo INE.

Já relativamente ao último trimestre de 2019, a recessão foi de 3,9%, depois de um aumento de 0,7% em cadeia face ao terceiro trimestre de 2019.

Na sua nota de estimativa rápida, o INE assinala que tanto o contributo da procura externa líquida como o da procura interna líquida foram negativos quer em termos homólogos quer em cadeia.

"O contributo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB foi negativo no 1.º trimestre (-1,4 pontos percentuais), após ter sido positivo no trimestre anterior, traduzindo a diminuição mais intensa das Exportações de Bens e Serviços [-5,1%] que a observada nas Importações de Bens e Serviços [-1,8%]", de acordo com a nota hoje divulgada pelo instituto de estatística.

Comparativamente com o trimestre anterior, as exportações totais diminuíram 7,3% em termos reais

Segundo o INE, o diferencial entre exportações e importações "é sobretudo consequência da contração da atividade turística na evolução das exportações de serviços".

Já a procura interna diminuiu 1,0 pontos percentuais, algo que acontece "pela primeira vez desde o 3.º trimestre de 2013, associada à diminuição do consumo privado e do investimento".

Quanto à quebra de 3,9% relativamente ao último trimestre de 2019 (em cadeia), o INE assinala que os números se devem à quebra da procura externa líquida, que foi de -2,0 pontos percentuais, após ter sido positiva no trimestre anterior, e da procura interna (-1,9 pontos percentuais) que foi mais negativa que no trimestre anterior (-0,7 pontos percentuais).

"Comparativamente com o trimestre anterior, as exportações totais diminuíram 7,3% em termos reais (taxa de 4,1% no trimestre anterior), enquanto a variação em cadeia das importações totais foi -2,9% em volume no 1º trimestre (taxa de 0,7% no 4º trimestre)", assinala o INE.

O instituto recorda que "com a passagem a uma fase de pandemia, foram tomadas em Portugal diversas medidas de contenção à propagação da covid-19, tendo sido anunciado o encerramento das escolas e universidades no dia 11 de março (com efeitos a partir do dia 16 de março) e decretado o estado de emergência no dia 18 de março, que ditou o encerramento temporário de várias atividades económicas e restrições à livre circulação de pessoas", lembra o INE.

Perturbações já visíveis antes da emergência

No entanto, o instituto de estatística nota que "ainda antes desta medida existiam já perturbações no funcionamento normal de algumas atividades e na procura dirigida aos seus produtos, nomeadamente na restauração e hotelaria, afetando a atividade económica desde praticamente o início do mês".

A estimativa divulgada esta sexta-feira "incorpora revisões na informação de base utilizada nas estimativas trimestrais anteriores, nomeadamente no que se refere ao comércio internacional de bens e aos indicadores de curto prazo, que não implicaram revisões nas taxas de variação homóloga e em cadeia do PIB em volume".

O INE divulga os números definitivos do PIB do primeiro trimestre dia 29 de maio, e alerta que "é possível que ocorram revisões de magnitude superior ao habitual em divulgações futuras atendendo a perturbações no processo de obtenção dos dados", devido à pandemia de covid-19.

Para Portugal, o FMI prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020.

Também atendendo ao contexto pandémico, segundo o INE "foram utilizadas novas fontes de informação complementar", como "a informação no âmbito do sistema eletrónico de emissão de faturas e comunicação à Autoridade Tributária (e-fatura)" e ainda "operações na rede multibanco".

O "Grande Confinamento" levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.

Para Portugal, o FMI prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020.

Já a Comissão Europeia estima que a economia da zona euro conheça este ano uma contração recorde de 7,7% do PIB, como resultado da pandemia da covid-19, recuperando apenas parcialmente em 2021, com um crescimento de 6,3%.

Para Portugal, Bruxelas estima uma contração da economia de 6,8%, menos grave do que a média europeia, mas projeta uma retoma em 2021 de 5,8% do PIB, abaixo da média da UE (6,1%) e da zona euro (6,3%).

PIB da zona euro com forte queda no primeiro trimestre do ano

A economia da zona euro recuou, no primeiro trimestre do ano, 3,2% em termos homólogos e 3,8% em cadeia, as maiores quebras desde 1995 e 2009, respetivamente, segundo uma estimativa divulgada esta sexta-feira pelo Eurostat.

Na União Europeia (UE), o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 2,6% na comparação homóloga e 3,3% na comparação com o quarto trimestre de 2019, sublinhando o gabinete estatístico europeu que as medidas de confinamento devido à pandemia da covid-19 começaram a ser largamente aplicadas em março, pelos Estados-membros.

Também na UE a quebra registada no PIB foi, na comparação trimestral, a maior desde o início das séries temporais, em 1995, e face ao trimestre homólogo a mais acentuada desde o terceiro trimestre de 2009.

A taxa de emprego, por seu lado, subiu 0,3% na zona euro e na UE em termos homólogos, mas recuou 0,2% em ambas face ao quarto trimestre de 2019, sendo a primeira vez que o indicador regista uma quebra em cadeia desde o segundo trimestre de 2013 para a zona euro e o primeiro trimestre de 2013 nos 27 Estados-membros.

Por seu lado, o crescimento homólogo foi, na zona euro, o mais fraco desde o primeiro trimestre de 2014 e, na UE, a menor desde o quarto trimestre de 2013.

No emprego, o Eurostat não divulga dados de estimativas para os Estados-membros.

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