Petrolíferas voltam a investir em força. Custo de exploração caiu

Chevron, Exxon, BP e Eni - as gigantes do mundo do petróleo anunciam projetos milionários um pouco por todo o mundo, apesar dos preços baixos

A acentuada queda dos preços do petróleo fez baixar drasticamente os custos de exploração. E as petrolíferas estão a aproveitar para anunciarem grandes investimentos um pouco por todo o mundo.

As norte-americanas Chevron e Exxon Mobil comprometeram-se já a investir 37 mil milhões de dólares (qualquer coisa como 33 mil milhões de euros) na expansão de um projeto petrolífero no Cazaquistão, uma das maiores apostas desde que, há dois anos, os preços do crude começaram a cair a pique.

Não foram as únicas. Na semana passada, a BP deu luz verde a um investimento milionário para a expansão de um complexo de exportação de gás. Um anúncio que chegou depois de um concorrente britânico ter já anunciado a aceleração dos trabalhos numa grande descoberta de gás no Egito. Também neste ano, a italiana Eni deu luz verde para avançar na exploração de um depósito nesse mesmo país.

A decisão das multinacionais de acelerarem investimentos coincide com uma enorme queda nos custos de perfuração, como resultado da queda dos preços do petróleo. Trabalhos de perfuração e bombeamento, instalação de válvulas, serviços de construção e engenharia estão mais baratos porque os empreiteiros que fornecem estes serviços têm menos procura.

Os analistas acreditam que os anúncios de novas explorações podem indicar confiança na recuperação dos preços do petróleo, depois da queda dos 115 dólares por barril, em meados de 2014, para um mínimo de 27 dólares, em janeiro deste ano.

Em todo o caso, não estão demasiado otimistas. Na semana passada, o preço do brent, a qualidade de referência das importações portuguesas, caiu quase 5%, recuando para 46,60 dólares, depois de notícias de um aumento da atividade de perfuração nos EUA. Além disso, ainda está presente a falhada recuperação dos preços em 2015, que obrigou as empresas a cancelarem investimentos e projetos descongelados numa primeira fase de euforia. Estima-se que, entre 2014 e 2015, as multinacionais tenham adiado ou cancelado projetos no valor de 270 mil milhões de dólares, cerca de 243 mil milhões euros. A decisão do Reino Unido de sair da União Europeia (brexit) gera ainda mais incerteza, uma vez que não se sabe qual vai ser o seu impacto na economia mundial.

Seja como for, o anúncio do investimento da Chevron, estimado em mais de 10 mil milhões de dólares (9000 milhões de euros), "é um ponto de inflexão" no mercado, garante Jason Gammel, analista da Jefferies. "Tengiz já é um dos projetos mais rentáveis dos últimos 40 anos. É um momento fantástico para este tipo de investimento",reforça Todd Levy, presidente de exploração e produção da Chevron para a Europa, a Eurásia e o Médio Oriente.

Desde o início de 2015, a Chevron e outras grandes petrolíferas viram as suas receitas diminuir 25%, obrigando a cortar a fundo nos custos: 30 mil postos de trabalho desapareceram para fazer face à prolongada queda dos preços do petróleo. Agora, procuram oportunidades em todo o mundo, desde que obedeçam a dois critérios: que impulsionem a produção nos próximos anos e que sejam rentáveis com o preço do barril de petróleo em 50 dólares.

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