Ouro português valoriza 5,4 MME desde início da pandemia

Cotação do ouro bate recordes e em consequência as reservas do Banco de Portugal atingem também valor histórico. Há 20 anos valia sete vezes menos.

Se o Banco de Portugal, por algum motivo, tivesse decidido vender nesta segunda-feira, quando o valor atingiu o máximo, as 382,5 toneladas de ouro que tem em reservas, o Estado receberia 20.861.802.303,51 euros.

A cotação do ouro, que tem vindo a subir nos últimos meses está perto de atingir o valor de dois mil dólares por onça troy (31,1 gramas).

No dia 18 de março, quando o estado de emergência foi declarado em Portugal, o ouro estava cotado em 1477,9 dólares por onça troy. Feitas as contas, em menos de cinco meses, as reservas de ouro portuguesas valorizaram 5,4 mil milhões de euros (MME)

É um número impressionante, mas não é um tesouro pronto a resolver os problemas financeiros de Portugal. Esta quantia não chega a 10% do Produto Interno Bruto do ano passado (212,3 MME) e menos ainda da dívida pública (259,6 MME, segundo dados divulgados hoje).

Em dezembro de 2015, a mesma quantidade de reserva de ouro valia, grosso modo, quase metade: 10,99 MME. E em 3 de agosto de 2000 valia 2,86 MME. Ou seja, as reservas de ouro do Banco de Portugal valorizaram mais de sete vezes em 20 anos.

"As preocupações com o vírus e um dólar fraco causado por um programa maciço de flexibilização quantitativa dos EUA ajudaram o ouro a atingir um novo recorde nos mercados asiáticos na segunda-feira, atingindo 1,990.84 dólares por onça", explica a AFP.

Portugal é um dos países do mundo com maiores reservas auríferas: segundo os dados do World Gold Council, divulgados pelo Trading Economics, é o 14.º do mundo e o sexto da Europa na lista liderada pelos Estados Unidos.

A decisão de comprar ou vender ouro das reservas cabe em exclusivo ao Banco de Portugal e era um instrumento para defender a moeda própria, quando necessário.

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