"Os ganhos dos últimos 30 anos estão em risco"

UNICEF Portugal pede urgência para recuperar atrasos provocados pela covid-19 nos planos de vacinação de rotina.

"Dentro de uma vacina há futuro". A frase serve de mote para o webinar que a UNICEF Portugal organiza hoje, no fecho da Semana Mundial da Imunização, onde se falará da importância de acelerar o processo de vacinação contra a covid-19 à escala global, mas também "a urgência em recuperar os atrasos que a pandemia provocou nos planos de vacinação de rotina no mundo inteiro", explica Beatriz Imperatori, diretora executiva da UNICEF Portugal.

"Nesta altura, todos os ganhos que tivemos nos últimos 30 anos, ao nível do Índice de Desenvolvimento Humano Global, em relação à saúde, estão em risco de ser apagados", sublinha a dirigente. "A pandemia afetou os sistemas de saúde de vários países e atrasou os programas de vacinação de rotina. Não é só a administração da vacina contra a covid-19 que é importante, mas todas as outras vacinas - poliomielite, tuberculose, rubéola, as hepatites, sarampo, etc., ", diz ao DN, referindo ainda que, no caso de Portugal, "houve um ligeiro impacto no início da pandemia, mas o Plano Nacional de Vacniação já terá retomado a quase normalidade".

Estes alertas, bem como a necessidade de acelerar a própria vacinação contra a covid-19 e de garantir a equidade entre países ricos e países em desenvolvimento no acesso às vacinas, serão temas presentes no webinar agendado para esta tarde, com as presenças do coordenador da task force de vacinação contra a covid-19, Henrique Gouveia e Melo, a ex-ministra da Saúde Ana Jorge, a cientista Maria Manuel Mota e Luís Bonfim, da UNICEF São Tomé e Príncipe.

Beatriz Imperatori diz que será uma conversa "destinada a famílias, jovens e crianças" e realça a importância de esclarecer os mais novos em relação ao seu papel na vacinação contra a covid-19. "É importante que as crianças percebam porque é que não é assim tão prioritário que elas se vacinem desde já e retirar dos ombros delas muito da carga negativa desta pandemia", refere a diretora executiva da UNICEF Portugal.

Embora crianças e adolescentes não sejam os mais afetados diretamente pela covid-19, também eles sofrem fortemente as consequências da pandemia, seja na educação, na saúde mental ou, em ambiente familiar, em campos como a proteção contra a violência ou a segurança alimentar. Além disso, lembra Beatriz Imperatori, têm-se confrontado várias vezes com o estigma do fecho das escolas: "É um ónus que não deve cair sobre eles, até porque está provado que as crianças não são foco de especial transmissão ou infeção."

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) é o maior comprador e distribuidor mundial de vacinas, assegurando que mais de dois mil milhões de doses de vacinas contra a covid-19 cheguem a muitos países em desenvolvimento, ao abrigo do mecanismo Covax. Beatriz Imperatori reconhece que o ritmo de distribuição está a ser mais lento nos países menos desenvolvidos e reforça a importância da solidariedade global nesta corrida contra o tempo.

"Ninguém está a salvo e é importante que todos estejam a salvo", sublinha, sobre outra mensagem que considera importante ser passada no webinar de hoje, mas também aos responsáveis dos países mais desenvolvidos que têm açambarcado vacinas.

"Há dois argumentos possíveis para enfatizar esta importância: o argumento solidário, pois se nós podemos ter acesso à vacina porque não podem ter outras pessoas em África ou na Ásia ou noutro ponto do mundo; e o argumento egoísta, que é pensar que se o vírus não for travado em todo o mundo, poderá voltar até nós mais tarde e com uma gravidade maior, como mostram as novas variantes."

rui.frias@dn.pt

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