Novo Banco perde 329 milhões em venda de ativos

Transação é de agosto de 2019. No terceiro trimestre do ano passado o NB tinha 572,3 milhões de prejuízo.

A venda de quase 200 imóveis em agosto de 2019 provocou uma perda de 328,8 milhões de euros ao Novo Banco. Segundo adiantou ontem o Público, este lote de imóveis foi vendido com um desconto de quase 70% a entidades do fundo norte-americano Cerberus., gerido por Byron Hhaynes até este assumir o cargo de chairman no Novo Banco em junho de 2017.

A operação foi denominada pela administração do banco português como Project Sertorius. Segundo aquele diário, o Novo Banco vendeu um lote de 195 propriedades por um valor de 159 milhões de euros, o que levou à perda de 328,8 milhões de euros, uma vez que o valor bruto da carteira de ativos imobiliários era de 487,8 milhões. A aquisição dos imóveis foi feita por sociedades detidas indiretamente pelo fundo Cerberus, dono do banco austríaco Bagaw P.S.K. desde 2006, que era liderado por Byron Haynes, seu CEO até março de 2017, de onde saiu para, em outubro do mesmo ano, assumir o cargo de chairman do Novo Banco, quando este foi comprado (75%) pelo Lone Star.

A transação motivou já uma queixa na Autoridade Europeia de Mercado e Títulos, a ESMA, dado o seu subscritor ter "envolvimento e interesse direto no Novo Banco". Na ação, é requerido à ESMA que garanta o "direito" de os stakeholders do banco saberem as razões que levam "o Novo Banco a vender ativos abaixo do seu valor", sublinhado-se que a operação revela um conflito de interesses, tendo em conta a posição de Haynes nos dois bancos. A queixa sugere ainda que seja feita uma investigação criminal a atos de gestão do NB, instituição na qual Haynes integra ainda três órgãos de controlo interno: o comité de risco, o comité de remunerações e o comité de matérias financeiras.

Desde a aquisição pelo Lone Star, o Fundo de Resolução já injetou 2,9 mil milhões de euros no Novo Banco. Em 2019, no fim do terceiro trimestre, esta instituição apresentava já um prejuízo de 572,3 milhões de euros, um agravamento de mais de 150 milhões face ao período homólogo. O CEO, António Ramalho, justificou então os resultados com "perdas relacionadas com o processo de reestruturação e desalavancagem de ativos não produtivos, designadamente os projetos Sertorius (aqui em causa), o Albatroz, em Espanha, e o processo de venda da GNB Vida.

O acordo de venda do Novo Banco ao fundo Lone Star prevê que o banco recorra ao Fundo de Resolução caso necessite de repor rácios de capital, até um máximo de 3,98 mil milhões. Ao todo, já foram utilizados 2,9 mil milhões, tendo o banco pedido, já neste ano, mais 1037 milhões. António Ramalho admite que ainda poderá ter de voltar a recorrer ao Fundo em 2021.

Jornalista do DInheiroVivo

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