NOS, Meo e Vodafone aumentam 3,3% preços nas ofertas 3P e reduzem velocidade

Os pacotes 3P - incluem Internet fixa, telefone fixo e televisão por subscrição - afetam cerca de 1,7 milhões de clientes em Portugal, alerta a Anacom

A NOS, a Meo e a Vodafone aumentaram em 3,3% os preços das suas ofertas triple play (3P), tendo em simultâneo reduzido a qualidade da oferta, diminuindo a velocidade de descarregamento. Os pacotes 3P - incluem Internet fixa, telefone fixo e televisão por subscrição - afetam cerca de 1,7 milhões de clientes em Portugal, representando cerca de 40% do total de subscritores, alerta a Anacom.

O valor de 3,3%, representa uma subida de 1 euro na mensalidade paga pelos clientes. "Na sequência deste aumento de preços, que surge ao mesmo tempo e na mesma proporção, e que é muito superior à taxa de inflação, a mensalidade mais baixa das suas ofertas "triple play" sobe para cerca de 31 euros", alerta a Anacom.

"Em simultâneo com o aumento de preços, registou-se também uma redução da qualidade deste tipo de ofertas nos três operadores, visto que a velocidade de download anunciada baixou de 100 Mbps para 30 Mbps", refere o regulador. A Meo e a NOS, destaca a Anacom, "impuseram igualmente limites mensais de tráfego de dados fixos (500 GB e 600 GB, respetivamente), algo que não existia nos mercados das comunicações em Portugal desde os primórdios das ofertas em banda larga".

"Trata-se de uma alteração substancial da configuração de produto tendo como referência, pelo menos, a última década. A NOS retirou, entretanto, o limite de tráfego acima indicado".

Preços já eram mais caros que a média europeia, diz regulador

O regulador volta assim a alertar para os preços das telecomunicações em Portugal, num momento em que a dependência dos consumidores aumenta, com muitos em teletrabalho devido às medidas de contenção da pandemia. Desde esta segunda-feira 191 concelhos estão sob medidas de restrição e em Estado de Emergência.

Mais, os preços destas ofertas sobem quando "já comparavam desfavoravelmente com a média internacional", refere a Anacom, referindo os estudos de comparações internacionais de preços promovidas pela Comissão Europeia: "em outubro de 2018 os preços do pacote Internet + telefone fixo + televisão, eram superiores à média da UE28 entre 2% e 12,7%. A exceção eram as ofertas de 1 Gbps que apresentavam preços inferiores à média da UE28 (-22,3%), mas que só são subscritas por 1,6% dos clientes".

"Este aumento de preços e degradação da qualidade das ofertas ocorre numa altura em que os utilizadores estão especial e crescentemente dependentes do abastecimento de "conetividade para fins profissionais e educativos, entre outros, devido à segunda vaga da pandemia de Covid-19, em que o teletrabalho voltou a ser obrigatório e existe um dever de recolhimento", lamenta a Anacom.

"Acresce ainda que os consumidores não dispõem de alternativas equivalentes, pois a oferta do quarto operador não é um sucedâneo porque não tem a mesma cobertura do território. De facto, a Nowo, o quarto principal prestador de comunicações eletrónicas em local fixo, e que oferece as mensalidades de ofertas "triple play" mais reduzidas (cerca de 24 euros), não está presente em todo o território nacional e não dispõe de rede móvel própria, é um prestador móvel virtual (MVNO) que suporta as suas ofertas de serviços móveis em redes de terceiros", refere.

Ana Marcela é jornalista do Dinheiro Vivo, a sua marca de economia

Mais Notícias