Metade dos responsáveis financeiros esperam retoma a partir de junho de 2021, diz estudo

No estudo da Deloitte, que contou, em Portugal, com a participação de 92 diretores financeiros, perto de 50% dos CFO portugueses considera que as suas receitas, o número de colaboradores e o investimento vão diminuir nos próximos 12 meses, "o que reflete uma descida das expectativas".

Os administradores financeiros das empresas portuguesas estão entre os menos otimistas da Europa em relação à retoma da crise provocada pela pandemia, com 49% a apontar para o segundo semestre de 2021 ou depois, revelou um estudo da Deloitte.

De acordo com a edição de outono do estudo CFO Survey da Deloitte, apenas 17% dos administradores financeiros (CFO) em Portugal consideram que as suas empresas se encontram, atualmente, na mesma situação ou melhor do que no período anterior à pandemia do novo coronavírus, enquanto que 49% só espera recuperar na segunda metade de 2021, ou mais tarde.

"Apesar do pessimismo ser ainda alto, de um modo geral os 'Chief Financial Officers' (CFO) em Portugal estão mais otimistas em relação às perspetivas financeiras das suas empresas do que na última edição CFO Survey, realizada em março deste ano (39% versus 13%, respetivamente), o que demonstra alguma recuperação de confiança após o esforço de ajuste dos negócios e um alívio das medidas mais restritivas da primeira vaga da pandemia", apontou a Deloitte, que contou, em Portugal, com a participação de 92 diretores financeiros nesta edição do estudo.

Redução de custos é apontada como uma das principais estratégias para combater a crise

De acordo com os dados recolhidos, perto de 50% dos CFO portugueses considera que as suas receitas, o número de colaboradores e o investimento vão diminuir nos próximos 12 meses, "o que reflete uma descida das expectativas", comparativamente ao último estudo, em que apenas 29% esperava que o investimento diminuísse.

A redução de custos é referida por 92% dos CFOs portugueses como uma das principais estratégias a ser implementada para combater a crise, seguida da digitalização (80%), que é primeira prioridade apontada pelos congéneres europeus.

Quanto a estratégias expansionistas, o crescimento nos mercados atuais (66%) e a introdução de novos produtos e serviços (52%) são consideradas mais prioritárias do que a entrada em novos mercados (32%) e crescimento por aquisições (20%).

"Apesar de os resultados ainda não serem totalmente positivos, os líderes financeiros das empresas mostram-se mais confiantes e conseguem encontrar caminhos para a retoma, embora com a cautela associada à incerteza geral sobre a evolução e impactos da pandemia. Nesta fase de recuperação dos efeitos da pandemia os CFO tiveram, e têm, um papel fundamental no financiamento das operações, no ajuste dos custos de funcionamento e no constante planeamento financeiro no centro de tanta incerteza", apontou o responsável pelo estudo em Portugal, Nelson Fontainhas.

Cerca de 54% dos administradores financeiros europeus espera que as suas receitas aumentem nos próximos 12 meses

No universo europeu, cerca de 54% dos CFO esperam que as suas receitas aumentem nos próximos 12 meses, contra 30% que espera uma diminuição, revelou o estudo, que contou com a participação de cerca de 1578 CFO de 18 países da Europa.

No entanto, em Portugal, "a variação das expectativas de receita não é tão positiva", com aqueles responsáveis a revelarem uma mudança nas suas expectativas de receitas, "principalmente de negativas para neutras, sem alteração na percentagem de CFOs que se sentem mais otimistas (40%).

Numa análise por setores, destacam-se o do transporte e logística e o de produtos e serviços industriais, onde 64% e 55% dos CFOs, respetivamente, "veem o futuro com mais confiança agora do que há três meses".

Pelo contrário, no setor do turismo e viagens, apenas 26% dos responsáveis financeiros se sentem mais otimistas, enquanto quase metade deles está menos otimista do que há três meses.

"Um aumento no número de novos casos de covid-19 em muitos países europeus e a reintrodução de medidas de contenção mais rígidas dissiparam as esperanças de um renascimento do turismo no final da temporada, desferindo mais um golpe num dos setores mais afetados negativamente pela pandemia", concluiu o estudo.

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