Metade do que as famílias gastam vai para rendas, comida, luz, água e gás

Já os gastos dos portugueses destinados aos transportes, restauração e alojamento e as atividades de cultura e lazer encolheram em 2020

Com a pandemia e as pessoas a terem de ficar em casa para mitigar a disseminação da covid-19, as despesas gerais das famílias diminuíram em 2020, comparando com 2019. Mas os gastos com a prestação ou renda da casa e com as contas da água, gás e luz passaram a pesar mais nas despesas das famílias portuguesas, de acordo com dados revelados ontem pelo Eurostat.

Em 2020, com os sucessivos períodos de confinamento, acompanhados por medidas de restrição à mobilidade, os gastos das famílias nacionais com as contas da água, gás, luz e em prestações ou rendas de casa, agravaram-se em 2,1 pontos percentuais, para 19,4%. Os gastos com a alimentação (inclui bebidas não alcoólicas) também cresceram, subindo 2,8 pontos percentuais para 18,9%, em termos homólogos. A parcela dos orçamentos das famílias portuguesas para a mobília também subiu 0,1 pontos percentuais, para 4,9%.

Onde se poupou
Por outro lado, os gastos destinados aos transportes, restauração e alojamento e a atividades de cultura e lazer encolheram nos orçamentos das famílias. No final de 2020, as despesas em transportes representavam 12% (-1,6 pontos percentuais) dos orçamentos familiares, em Portugal. O peso da restauração e hotéis era de 12,4% (-1,5 pontos percentuais), e das atividades de cultura e lazer era de 5,7% (-0,3 pontos percentuais).

Em termos gerais, as famílias residentes em Portugal gastaram, em 2020, menos 11,7% do que no ano anterior. Uma quebra que compara, por exemplo, ou com uma diminuição homóloga de 11,9% nas despesas gerais das famílias italianas ou com a quebra de 15,7% dos gastos das famílias residentes em Espanha. As despesas gerais caíram 7,8% e 8,3%, na União Europeia e na zona euro, respetivamente. Portugal não foi exceção no encolhimento dos gastos das famílias. Por outro lado, também não foi exceção no aumento do peso das chamadas contas da casa nos orçamentos familiares.

O que se passa na UE
No contexto europeu, ainda de acordo com o Eurostat, os gastos das famílias residentes na UE com as suas habitações e serviços básicos cresceram 2,2 pontos percentuais, para 25,7%, em termos homólogos, no ano em que a pandemia da covid-19 surgiu. Também a despesa com alimentação e mobiliário cresceu.

A fatia do orçamento familiar destinada à alimentação (inclui bebidas não alcoólicas), em comparação com 2019, cresceu 1,8 pontos percentuais, para 14,8%. A maior permanência das famílias em casa levou também a um crescimento homólogo dos gastos das famílias com mobiliário, uma parcela que representava 6% dos orçamentos familiares (+0,6 pontos percentuais), no final de 2020.

A mesma análise do Eurostat indica, por outro lado, que a maior permanência das famílias em casa, bem como as restrições à mobilidade, gerou uma diminuição dos gastos na restauração, alojamento, transportes e atividades de lazer e cultura.

Os gastos em restaurantes e hotéis recuaram 2,7 pontos percentuais, para 6%. Já a parcela do orçamento familiar para os transportes caiu 1,5 pontos percentuais para 11,6%, enquanto os gastos em atividade de lazer e cultura quebraram 0,9 pontos percentuais, para 7,8%. Estas foram as atividades económicas mais penalizadas pela pandemia.

José Varela Rodrigues é jornalista do Dinheiro Vivo

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