Mesmo sem BPI, venda em bolsa do Novo Banco é última opção

CaixaBank vai fazer BPI desistir de comprar banco presidido por António Ramalho, noticia a Bloomberg. Catalães dizem apenas que estão focados na OPA

Mesmo que o CaixaBank leve o BPI a desistir da corrida ao Novo Banco a solução para vender o banco de transição não vai passar pela venda em bolsa, consideram os analistas contactados pelo DN/Dinheiro Vivo.

O CaixaBank garantiu ontem que está "unicamente centrado" em concluir a oferta pública de aquisição (OPA) lançada ao BPI e que, depois da desblindagem dos estatutos do banco na passada semana, passou de voluntária a obrigatória. O CaixaBank reagia assim a uma notícia da Bloomberg que dava conta de que responsáveis do CaixaBank se iriam opor ao negócio. A notícia sobre o arrefecimento do interesse dos catalães surge poucos dias depois de Artur Santos Silva ter afirmado aos jornalistas que o BPI estava "a estudar seriamente" a compra do banco de transição, que tem quatro interessados: BPI, BCP, Apollo/Centerbridge e fundo Lone Star.

A equipa que está a conduzir o processo tem como cenário preferencial a venda direta mas em cima da mesa pode estar também a venda em bolsa a institucionais. António Ramalho, presidente do banco, afirmou numa carta aos trabalhadores que o trabalho para o IPO está praticamente concluído mas os analistas não acreditam neste cenário.

"Mesmo que o BPI saia de cena, não creio que o principal cenário seja o de venda em bolsa", diz ao DN/Dinheiro Vivo Pedro Lino, da DIF. "Perante os escândalos financeiros que ocorreram nos últimos anos, seria imprudente, especialmente porque será necessário recapitalizar o banco." Também Tiago da Costa Cardoso, gestor da XTB, concorda que "enquanto o prazo da venda se mantiver, a ideia será sempre vender diretamente a investidores", numa altura em que a performance da banca europeia não é a ideal. Uma visão partilhada por Albino Oliveira, da Patris, que frisa que "as características da operação poderão não favorecer uma venda em bolsa, tendo em conta, por exemplo, o enquadramento do setor em Portugal". Marco Silva, da MTT, alerta: "A venda em bolsa para ser bem preparada demora cerca de um ano, não só o Novo Banco já não tem esse tempo como está manifestamente desprovido da orientação estratégica para que tal ocorra."

O mercado tem olhado para o BPI como o mais forte candidato ao Novo Banco - a venda do banco de transição foi atrasada para que as alterações acionistas no BPI e no BCP (ver texto ao lado) estivessem resolvidas e os bancos portugueses pudessem ser sérios candidatos à compra. E os analistas concordam que, caso se confirme a desistência do BPI, o Novo Banco perde um forte candidato.

Para Tiago da Costa Cardoso a desistência é negativa não só pelo facto de o BPI ser o favorito à compra do Novo Banco mas também pela escassez de soluções de que o governo agora dispõe. Por outro lado, pode levar a que os outros concorrentes se antecipem com ofertas mais sérias. Albino Oliveira considera que se perderia um "um importante candidato, tendo em conta que através do BPI seria também alcançada uma maior consolidação do setor bancário nacional".

Pedro Lino acredita que o CaixaBank continua interessado no Novo Banco, mas que primeiro tem de concluir a OPA com sucesso. "São normais estas declarações, uma vez que o BPI não pode candidatar-se à compra do Novo Banco sem o CaixaBank efetivar o controlo", avisa.

Marco Silva tem a visão contrária: "Nem o BCP nem o BPI tinham condições ou vontade real em adquirir o Novo Banco", acrescentando que "o Caixabank não só teria de investir na compra do BPI como depois o capitalizar para este poder adquirir o banco de António Ramalho, não pelo custo direto, mas pelas enormes necessidades de capital do Novo Banco".

E lembra ainda que há pressa em vender o banco: o ministro das Finanças já disse que, se a questão não estiver resolvida até agosto do próximo ano, o Novo Banco avançará para a dissolução.

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