Mário Ferreira avança com OPA sobre 70% da dona da TVI. Oferta não pode ser inferior a 0,67 euros

A CMVM tinha determinado que o dono da ​​​​​​​DouroAzul tinha até dia 25 de novembro para lançar OPA obrigatória sobre o capital que não controla.

Mário Ferreira já avançou com o anúncio preliminar da OPA obrigatória sobre a Media Capital, a operação incide sobre cerca de 70% sobre o capital do grupo dono da TVI, tal como determinado pela CMVM, depois de o regulador ter considerado que o empresário agiu em concertação com a Prisa, antiga dona do grupo de media. Valor da oferta não poderá ser inferior a 0,67 cêntimos por ação.

A "Oferta tem por objeto a totalidade das ações representativas do capital social e dos direitos de voto da Sociedade Visada, com exclusão das que sejam diretamente detidas pela Oferente. Deste modo, a Oferta tem por objeto a totalidade das ações e dos correspondentes direitos de voto, representativas de 69,78% do capital social" do grupo.

O valor da oferta está dependente da "fixação da contrapartida mínima a pagar pela oferta concorrente apresentada pela Oferente Concorrente (Auditor Independente)", lembra a Pluris, controlada por Mário Ferreira.

"A contrapartida oferecida pelas Ações Objeto da Oferta, a pagar em numerário, será a que resultar da determinação do Auditor Independente acrescida de 2% (dois por cento), desde que não inferior a 0,67 (sessenta e sete cêntimos) caso em que será este o valor da contrapartida, em conformidade com os termos da Deliberação e o disposto nos artigos 185.º, n.º 5, e 188.º, ambos do CdVM", lembra a companhia.

"Para efeitos de lançamento da Oferta será necessária a obtenção das autorizações regulatórias aplicáveis em matéria de controlo de concentrações e aquisição de domínio de um grupo societário cuja atividade corresponda à da Sociedade Visada e das sociedades por si detidas ou controladas, designadamente: da Autoridade da Concorrência, em conformidade com o previsto na Lei n.º 19/2012, de 8 de maio; e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, em conformidade com o previsto na Lei n.º 54/2010, de 24 de dezembro, e na Lei n.º 27/2007, de 30 de julho", dizem.

A operação, lembra a Pluris, "é lançada por imposição regulatória, na sequência da Deliberação, sem prejuízo do que, em caso de aumento da participação atualmente detida pela Oferente na Sociedade Visada a Oferente dará continuidade à atividade daquela, ao seu objeto social e, bem assim, das sociedades que com a Sociedade Visada se encontrem em relação de domínio ou de grupo."

A mesma decorre em simultâneo com a da Cofina, que em agosto avançou com uma OPA voluntária sobre 100% do capital do grupo de media - obrigando Mário Ferreira a oferecer mais 2% do que o valor posto em cima da mesa pelo grupo de Paulo Fernandes.

A Cofina oferece 0,415 euros/por ação, "o que corresponde a um valor total máximo da oferta de 35.072.969,70 (trinta e cinco milhões, setenta e dois mil, novecentos e sessenta e nove euros e setenta cêntimos)".

Um valor substancialmente abaixo dos mais de 200 milhões que a Cofina esteve disposta a pagar pela Media Capital e que surge depois de Mário Ferreira, o dono da DouroAzul, ter comprado por pouco mais de 10 milhões cerca de 30% do grupo dono da TVI.

A Cofina justifica o valor. "O valor de referência proposto na OPA de 0,415 euros por ação, correspondendo a um valor total de 35.072.969,70 euros, considera um entreprise value de cerca de 130 milhões de euros e foi considerado, em informação ao mercado, no passado dia 14 de maio, pela Promotora de Informaciones S.A., maior acionista da empresa, "uma avaliação acima das estimativas do mercado efetuadas pelos analistas... tendo implícitos múltiplos superiores aos das empresas FTA"", destaca o grupo em comunicado enviado às redações.

Ana Marcela é jornalista do Dinheiro Vivo

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