Lucros da CGD descem 6% para 81 milhões de euros no 1.º trimestre

Na apresentação dos resultados, Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos, destacou a "realização com sucesso" do plano estratégico.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) teve lucros de 81 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, menos 6% do que os 86,2 milhões de euros do mesmo período do ano passado, segundo comunicado ao mercado.

No primeiro trimestre, segundo a CGD, foram reforçadas as imparidades de crédito em 59,6 milhões de euros "em antecipação dos efeitos da crise pandémica".

Na apresentação dos resultados, o presidente executivo do banco público, Paulo Macedo, destacou a "realização com sucesso" do plano estratégico 2017-2020 (acordado entre o Estado português e a Comissão Europeia), afirmando que nos últimos quatro anos a CGD recuperou todos os prejuízos históricos registados em 2016 (1.859 milhões de euros), visto que "foram anulados pelos resultados positivos gerados desde então", além de que melhorou os indicadores de solvabilidade, eficiência, qualidade dos ativos, entre outros.

CGD tinha 5705 milhões de euros em moratórias no fim de abril

A CGD tinha 5.705 milhões de euros em créditos com moratórias no final de abril, abaixo do valor de janeiro, segundo a informação hoje divulgada na apresentação das contas do primeiro trimestre.

Do valor de créditos com moratórias (suspensão de pagamento de capital e/ou juros), que corresponde a 13% da carteira de crédito total, 2.391 milhões de euros são referentes a crédito a particulares e 3.314 milhões de euros a crédito a empresas.

O total de crédito em moratórias em abril (5.705 milhões de euros) representava menos 4,8% do que montante de crédito em moratórias em final de janeiro (5.992 milhões de euros).

Já face a setembro de 2020, quando foi atingido o 'pico' de crédito em moratórias (6.906 milhões de euros), a redução é de 17,4%.

A maioria das moratórias termina em 30 de setembro, sendo nessa altura avaliado o impacto do fim das moratórias sobre a qualidade da carteira de crédito.

Quanto às linhas de crédito 'covid', para financiamento a empresas afetadas pela crise pandémica, no final de abril a CGD tinha 1.917 milhões de euros emprestados, mais 51% do que em janeiro.

Do total de 1.917 milhões de euros em crédito, 1.278 milhões de euros são créditos com garantia de estado, referindo a CGD que, ao abrigo da lei, "concedeu a extensão do período de carência a 4.336 operações com garantias públicas, no valor total de 484 milhões de euros".

Empréstimo ao Fundo de Resolução está a ser ultimado

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos assumiu que "está a ser ultimado" o financiamento bancário ao Fundo de Resolução para capitalização do Novo Banco.

"Está a haver a preparação do financiamento, espera-se que esteja a ser ultimado. As coisas correm o caminho normal", disse Paulo Macedo na apresentação de resultados.

O Jornal Económico noticiou na semana passada que o sindicato bancário composto por sete bancos deverá disponibilizar 475 milhões de euros ao Fundo de Resolução, dos quais cerca de 430 milhões de euros serão usados já para capitalizar o Novo Banco.

Os bancos que terão maior fatia do empréstimo serão CGD e BCP, tendo os restantes uma participação menor.

Já no ano passado foi negociado um empréstimo dos bancos ao Fundo de Resolução (também para capitalizar o Novo Banco) mas acabou por não avançar.

Paulo Macedo espera propostas para venda do Banco do Brasil

Paulo Macedo disse que espera que surjam "propostas relevantes" de investidores no novo processo de venda do banco do Banco Caixa Geral - Brasil.

O presidente executivo da CGD disse que na retoma do processo de venda do banco do grupo no Brasil a "esperança é que desta vez apareçam interessados com propostas relevantes", "com ofertas positivas". E disse ter "indícios" disso mesmo.

O gestor explicou que a primeira operação de venda foi cancelada, porque a CGD considerou que as propostas que existiam não defendiam os seus interesses e preferiu não vender a fazê-lo "em circunstâncias não positivas".

Na semana passada, o Governo aprovou o relançamento da venda do Banco Caixa Geral - Brasil, depois de ter falhado o primeiro processo de venda.

A venda do banco da CGD no Brasil fazia parte do plano de reestruturação do banco público, acordado com a Comissão Europeia, mas a sua alienação acabou por não ser concretizada.

A alienação é feita pela CGD, sendo as decisões finais tomadas pelo Governo após proposta da administração do banco público.

Em maio do ano passado, após proposta da CGD, o Governo rejeitou as propostas para compra do Banco Caixa Geral - Brasil por considerar que não estavam "reunidas as condições para a aceitação de qualquer das propostas vinculativas apresentadas", por não salvaguardarem "de modo adequado e permanente os interesses patrimoniais da CGD e a concretização dos objetivos subjacentes ao processo de alienação".

A empresa de investimentos brasileira Artesia Gestão de Recursos, o Banco ABC Brasil (detido pelo Arab Banking Corporation, com sede no Bahrein) e o Banco Luso Brasileiro (detido parcialmente pelo grupo Amorim) tinham sido os três investidores selecionados pelo Governo para apresentarem propostas vinculativas de compra do Banco Caixa Geral -- Brasil.

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