Lava Jato: Donos da Avianca, que quis comprar a TAP, detidos no Brasil

A polícia brasileira deteve José Efromovich e Germán Efromovich, acionistas da Avianca Holdings, envolvidos num alegado esquema de fraudes em contratos firmados pela Transpetro com um estaleiro que é investigado pela Lava Jato.

Os irmãos foram detidos em São Paulo na 72.ª fase da Lava Jato, a operação anticorrupção mais importante do país, acusados de fraude nos contratos do estaleiro Ilha SA (Eisa), propriedade dos dois executivos, com a Transpetro, subsidiária da estatal Petrobras que é responsável pelo transporte de combustíveis e importação e exportação de petróleo e derivados no Brasil.

As ordens de prisão foram expedidas na cidade de Curitiba, mas foram posteriormente substituídas por prisão domiciliar com vigilância eletrónica devido aos "riscos decorrentes da pandemia de covid-19", informou o Ministério Público Federal (MPF) brasileiro.

Em comunicado, o MPF destacou que os dois executivos são acusados de fraude em processos de licitação para a compra, venda e construção de navios, e suspeitos de pagar suborno a altos executivos da Transpetro em troca de favorecimento nas licitações.

Os investigadores indicaram que o esquema causou prejuízos superiores a 611 milhões de reais (93,4 milhões de euros) à Transpetro, em razão da entrega irregular de um navio encomendado, da não entrega dos outros três navios, de uma dívida trabalhista indevidamente suportada pela Transpetro e de adiantamento de recursos ao Eisa, garantidos pessoalmente por um dos empresários presos com a emissão de duas notas promissórias que nunca foram pagas.

Os indícios "apontam para a existência de uma grande, complexa e sofisticada estrutura corporativa internacional projetada por empresários para a blindagem e ocultação de ativos" e "possível prática de corrupção e lavagem de dinheiro", afirmou o Ministério Público brasileiro.

Os contratos, "sem fundamento na realidade", envolviam "investimentos em campos de petróleo e empréstimos com empresas em paraísos fiscais", detalhou a procuradora Luciana Bogo, citada no comunicado do MPF.

A polícia brasileira também indicou que há indícios de pagamentos ilícitos de mais de 40 milhões de reais (cerca de 6,1 milhões de euros) em subornos a altos executivos da estatal em troca do favorecimento dos estaleiros da Eisa para a construção de navios e produtos.

A operação de hoje foi fruto de um acordo de colaboração firmado com as autoridades pelo ex-presidente da estatal Transpetro Sérgio Machado, que revelou um amplo esquema de corrupção na subsidiaria da Petrobras em troca de reduzir punições contra si.

Além dos estaleiros da Eisa, Germán Efromovich é dono do conglomerado industrial Synergy Group e ex-diretor da companhia aérea colombiana Avianca, de cujo conselho foi demitido por não quitar um empréstimo concedido pela empresa norte-americana United Airlines.

A operação Lava Jato, iniciada em 2014, desvendou um vasto esquema de corrupção envolvendo a petrolífera Petrobras e outros órgãos públicos brasileiros, que levou à prisão de empresários, ex-funcionários públicos e políticos.

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