Jogo português destaca-se na maior feira de videojogos 

Estúdio Fun Punch Games vai lançar o jogo em exclusivo para PlayStation 4 e PC

Durante a conferência de imprensa da Sony Interactive Entertainment na feira de videojogos E3, que acontece amanhã em Los Angeles, haverá um jogo português em destaque. Os milhões de fãs que estarão a assistir ao evento online vão ver a apresentação do jogo "Strikers Edge", que venceu a primeira edição dos Prémios PlayStation em Portugal e vai chegar em exclusivo à PlayStation 4 depois do verão.

O jogo foi desenvolvido por Tiago Franco e Filipe Caseirito, os fundadores do estúdio Fun Punch Games, a quem se juntou Ricardo Flores - um veterano da nascente indústria dos videojogos em Portugal. É ele quem estará a representar o jogo em Los Angeles, onde a startup procura sobretudo contactos e exposição mediática.

"No final, o investimento ficará entre 150 e 200 mil euros", diz Ricardo Flores aoDN/ Dinheiro Vivo, "sendo que o grosso do investimento é marketing". A produção em si vai custar 60 mil euros, o que justifica que a startup esteja agora à procura de capital.

"Estamos em conversa com potenciais investidores lá fora e em princípio haverá investimento extra", revela o cofundador Tiago Franco. "São editoras de jogos no estrangeiro que acabam por investir nos títulos em que acreditam, e que acham que possam ter sucesso", acrescenta. Para já, a Fun Punch está a capitalizar na vitória que conseguiu nos Prémios Play-Station, o que incluiu dez mil euros em dinheiro e dez meses de acesso a um escritório em Lisboa, onde a equipa (entre 5 e 6 pessoas) está agora a trabalhar.

Tiago Franco faz a descrição do "Strikers Edge" como um jogo de combate à distância, uma espécie de "jogo do mata com armas", que será multijogador. O conceito original nasceu numa GameJam, uma competição de desenvolvimento em contrarrelógio, em janeiro de 2014. O jogo venceu o evento Pizza Night 2015 da Microsoft e já este ano conquistou a PlayStation, com a qual assinou um acordo de exclusividade.

Sendo um jogo independente, a exposição dada pela Sony na E3 poderá ser a alavanca para permitir o ataque ao mercado global. "Temos a ambição de conseguir ser um dos jogos que fiquem no top 10 dos indies no online da consola", estabelece Ricardo Flores. "Vamos ter de trabalhar bastante", admite, referindo que "até meados de setembro ninguém se vai mexer, não há férias." Ao contrário do que acontece nas plataformas móveis, em que a maioria dos jogos tem instalação gratuita, o "Strikers Edge" será pago. O preço ainda não está definido, mas deverá rondar os 15-20 euros, indica o cofundador Filipe Caseirito.

"O free to play para consola é raro, em móvel é o modelo, o que obriga a desenhar os jogos de maneira a serem máquinas de analítica, dados e comportamento do consumidor", explica Ricardo Flores. "Mudou-se o paradigma. Ideias para jogos móveis existem, o complicado é pô-los a render", diz o especialista, que fala com experiência: foi diretor de jogos da Biodroid, que lançou títulos móveis como o Billabong Surf Trip e o Cristiano Ronaldo FreeStyle Soccer, durante sete anos.

É por isso que tem uma visão abrangente do mercado. "Aquilo que falta a Portugal é investimento à produção", refere. Diz que há boas equipas e os projetos avançam até uma determinada fase, mas depois falta a criação de um pacote apelativo no mercado internacional. "Porque quando chegamos aí já não há dinheiro para o fazer, ficou todo gasto na produção. Daí a importância de orçamento para publicidade, estar nos eventos, fazer marketing, estar com os YouTubers e tudo mais", resume.

Nos últimos quatro anos, a indústria dos videojogos começou a renascer em Portugal, com o aparecimento de dezenas de estúdios independentes e eventos de apoio, desde a Lisboa Games Week a programas da Microsoft Xbox e da Sony (PlayStation). Tiago Franco confirma o dinamismo do mercado, mas avisa: "Falta aquele jogo impactante que traga olhos e dinheiro para Portugal." Poderá o "Strikers Edge" conseguir esse feito?

Quem são os criadores

Tiago Franco, de 29 anos, é licenciado em Design Multimédia e tem larga experiência em web design, user experience e aplicações móveis. Em abril, deixou o emprego para se dedicar completamente à Fun Punch Games e ao Strikers Edge.

Já Filipe Caseirito tem um perfil um pouco diferente: o cofundador de 28 anos licenciou-se em arquitetura e fez um mestrado na área. Acabou depois por tirar um curso técnico de programação e começou a fazer projetos web e aplicações móveis. Participou em várias GameJams e acabou por conseguir tornar o gosto pelos jogos num projeto a tempo inteiro.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG