João Galamba: "Estamos a cumprir a agenda 3 D da transição energética"

O PRR é um contributo para o combate à pobreza energética, mas não vai resolver, por si só, as assimetrias, disse esta quinta-feira o secretário de Estado Adjunto e da Energia na terceira sessão Portugal Mobi Summit.

Até que ponto estamos a cumprir a chamada "Agenda 3 D", de descarbonizar, descentralizar e digitalizar, no âmbito do compromisso europeu para a transição energética? O secretário de Estado Adjunto e da Energia não tem dúvidas de que "estamos a cumprir" e a caminhar no sentido certo. "Este compromisso plurianual e multidécadas é fundamental para orientar os agentes económicos privados e o setor público para rumarem todos com o mesmo objetivo", disse João Galamba esta quinta-feira, na terceira sessão Portugal Mobi Summit, dedicada à transição energética.

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Ao Governo, disse, "cabe criar as condições de regulação para avançar com o desenho de políticas públicas, seja nos mercados que já existem, seja em tecnologias que por serem menos maduras, e ainda não terem o mesmo mercado, precisam de mais financiamento".

Nesta referência implícita ao hidrogénio, sem nunca o mencionar (evitando polémicas várias em torno do tema), o governante defendeu que o atual quadro financeiro será muito importante para o arranque de soluções que têm mais dificuldades de instalação.

Já quanto à capacidade do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) garantir que a transição energética será justa e inclusiva do ponto de vista social, João Galamba não se compromete totalmente. "O PRR é um contributo para a eficiência energética e para o combate à pobreza energética, mas temos de olhar também para o quadro financeiro plurianual, para os dois programas, que prevê muito investimento na habitação e na habitação social". O "envelope financeiro é robusto, mas não podemos resolver as assimetrias nesta matéria em meia dúzia de anos", embora seja esse o objetivo, assumiu.

Sobre o caminho percorrido em matéria de transição energética, o CEO da EDP Inovação faz um balanço muito positivo, lembrando que em 2018 o Pacote Energético da UE, que contemplava um conjunto de regulamentos e diretivas, previa um investimento de 100 mil milhões de euros por ano até 2050. Ora, "só no ano passado atingimos os 140 mil milhões de euros de investimento, o que representa uma subida de 67% face ao estimado", nota António Coutinho. Um indicador que leva o homem forte da EDP Inovação a considerar que "estamos no bom caminho".

Porém, António Coutinho diz que é preciso manter e acelerar o esforço nas energias renováveis e acelerar na eletrificação. Nesta matéria chama a atenção para a necessidade de uma aposta mais robusta na descentralização, através de um maior investimento na rede de carregamento público para os veículos elétricos em todo o território nacional.

E não só. O executivo defendeu que é necessário um esforço para investir em mais bombas de calor, porque ainda temos muitos casos de gás propano pelo país fora.

Referindo-se à descentralização, o segundo d da "Agenda 3D", António Coutinho sublinhou que a descentralização da produção da energia solar, por exemplo, vai permitir uma queda de preços deste tipo de energia, uma área em que a EDP está a investir e a expandir através dos seus bairros solares, comunidades de produtores, que podem ser particulares, condomínios ou conjuntos de condomínios residenciais ou empresas. Esta é uma possibilidade relativamente recente proporcionada por uma alteração legislativa, que abriu a porta da produção energética a um leque mais abrangente de operadores.

EDP investe mil milhões em inovação

Sobre este novo mercado, o secretário de Estado da Energia considerou que o auto-consumo e estas formas alternativas podem ser instrumentos de desenvolvimento regional. "Acreditamos nas comunidades de energia de auto-consumo que permitem uma convivência saudável entre os municípios e um mundo de soluções". São "bons exemplos", referiu, enaltecendo o curriculum português em matéria de transição energética.

Na mesma linha, António Coutinho, sublinhou o contributo da EDP para esse resultado: "Somos o 4º maior produtor mundial de energia eólica", tendo duplicado a capacidade na energia solar e eólica, disse. Por outro lado, revelou que, no âmbito do plano de expansão da mobilidade elétrica, a EDP vai chegar aos 40 mil pontos de carregamento até 2025, em Portugal, Espanha e Brasil, os três mercados de referência.

"A EDP propõe-se liderar esta transição energética", nomeadamente dentro de portas, prevendo eletrificar totalmente a sua frota ligeira até 2030 e 50% da sua frota pesada, disse o CEO. Paralelamente vai continuar a investir na inovação. Tem um orçamento para investir mil milhões de euros na digitalização e mil milhões de euros na inovação, referiu.

Novas tecnologias apoiam mudanças

O investimento em tecnologia e inovação foi justamente o ponto mais destacado pelo diretor para as novas tecnologas do CEiiA, para conseguirmos vencer o desafio da transição digital. "Vai ser preciso investir em novas tecnologias" para atingir os objetivos traçados, bem como uma ação conjunta entre entidades públicas, privadas e consumidores, disse Pedro Gaspar. Mais do que isso, "é mesmo crucial mudar o mindset dos próprios consumidores e que estes exijam uma mudança real às empresas a quem compram bens e serviços", defendeu o responsável do CEiiA.

Pedro Gaspar destacou vários exemplos de investimento do CEiiA em inovação e tecnologia, como a sua aplicação Ayr, que foi escolhida pela Google de um leque de 500 soluções para acelerar a descarbonização das cidades. Mas lembrou que para atingir este objetivo global que é a descarbonização para um mundo mais sustentável, o essencial é mesmo mudar os comportamentos de todos, sem exceção. "Colocar dinheiro para cima do problema, sem criar as condições de contexto para as pessoas mudarem os comportamentos, não é a solução", defendeu Pedro Gaspar, na terceira sessão Portugal Mobi Summit.

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